Icterio

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Ao ler um artigo na última edição da Air Forces Monthly sobre a retirada do Afeganistão é impossível evitar as ironias que um par de meses pode fazer.  "Todos os planos falham (ou alteram-se) quando se entra em contacto com o inimigo".  Deixo aqui alguns aspectos interessantes de um artigo escrito apenas em Junho;

Como é sabido, desde o início do ano que a presença da NATO no país é uma sombra do que foi no passado (chegou a um pico de 140.000 em 2011) em cumprimento dos planos de retirada planeados até ao dia 11 de Setembro, 20 anos após os atentados.  Restam hoje (Junho) 2500 soldados do Exército e Força Aérea Americanos suportados por cerca de 1000 elementos do JSOC (Joint Special Operations Command, por outras palavras, "badasses" das Forças Especiais) concentrados em Cabul junto com mais 1000 soldados Ingleses.  O processo de evacuação correu relativamente bem até à data, com grande parte do material pesado e mais de 18000 elementos de pessoal de apoio evacuados por via aérea.  É bom lembrar que a via aérea é a única via disponível; o Afeganistão não possui costa marítima e as relações da NATO com os vizinhos (Paquistão, Irão e algumas Republicas da antiga URSS) são, no melhor dos casos, bivalentes.


A evacuação do contingente Italiano e Alemão ficou concluída até 29 de Junho.  Um episódio curioso ocorreu durante a evacuação destes últimos; que fazer com os cerca de 22500 litros de cerveja da guarnição?  Sendo um país Muçulmano a opção de vender (ou oferecer) a cerveja localmente não iria ter sucesso e, no final, acabou-se por alugar mais um avião extra e transportar o produto de volta para a Alemanha.  Segundo os próprios; "para evitar desperdícios"...  Outro relato curioso foi a entrega final da base de Bagram para as Forças Afegãs.  No principio de Julho os últimos F-16, C-130J e helicópteros do exército abandonaram a base e durante a noite do dia 2 os derradeiros soldados embarcaram no último C-17 protegido por helicópteros Apache.  As tropas Afegãs que guardavam o perímetro não foram avisadas e só no dia seguinte, quando o quadro da luz foi "abaixo", é que se aperceberam que estavam sozinhos na base (por aqui vê-se o nível de confiança entre as partes).

Haveria mais para contar mas termino com um excerto sobre a comparação com a evacuação de Saigão em 1975;


Gostei da parte das Forças Afegãs "altamente motivadas" para lutar.  Yeah right...
« Última modificação: 20 de Agosto 2021, 00:03:14 por Icterio »


toto1100

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De certeza que os Taliban vão fazer bom uso dos Super Tucano todos que os EUA ofereceram. Altura das OGMA se chegarem à frente para assegurar o contrato de manutenção dos mesmos.

(Adorei essa da evacuação da cerveja alemã; que uso excelente do dinheiro dos contribuintes!)

JSilvazito

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De certeza que os Taliban vão fazer bom uso dos Super Tucano todos que os EUA ofereceram. Altura das OGMA se chegarem à frente para assegurar o contrato de manutenção dos mesmos.
Nesta altura um país NATO fazer contratos com o Afeganistão/talibãs era o maior suicídio, nem pensar.
Mas parece que ficaram muito poucos, muito poucos mesmo, em solo afegão. Parece que os pilotos foram lestos a fugir, tal como o exército e a polícia treinada e muito bem armada pela NATO/USA também fizeram, e levaram os aviões para países vizinhos.
Cumprimentos,

Icterio

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Esse aspecto também é abordado no artigo. 

Desde o início do ano que a retirada tem sido gradual mas acelerada; as forças da NATO foram abandonando as bases e "outposts" das zonas fronteiriças e acabaram por se concentrar (os poucos que restavam) na cidade de Cabul e, em extremo, no próprio aeroporto.  Assim, desde o início do ano os Taliban tem atacado os "outposts" fronteiriços nessas províncias.  A Força Aérea do Afeganistão foi utilizando 19 A-29 Super Tucano, 16 UH-60 Black Hawk e 68 ND-500 Defender para prover apoio aéreo mas com os técnicos estrangeiros (civis) a abandonar essas regiões ao mesmo ritmo dos militares, a operacionalidade dos aparelhos começou a decair drasticamente.

Seria de supor que após tantos anos de treino que a Força Aérea Afegã adquirisse o know-how técnico para executar a manutenção mais básica mas, aparentemente, não se atingiu esse objectivo.  Agora, sem apoio técnico e sem peças, os aparelhos rapidamente vão ficar inoperacionais.  O mais certo é serem vendidos no mercado negro.

brunodias

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Pessoalmente penso que se for necessario, depois da saida do ultimo soldado, os b52 tem treino

Icterio

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Estou a ver que o Bruno Dias e a Ellen Ripley são unha e carne.
« Última modificação: 22 de Agosto 2021, 12:45:05 por Icterio »


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