Flyhigh

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arde,

Isto não é uma questão da TAP, é uma questão geral , que se aplica em particular ao sector aeronáutico. Seja Lufthansa com GermanWings/Eurowings, seja pela Ibéria com a Ibéria Express/Vueling, seja AirFrance/KLM com a Transavia, etc.

A desregulação, com companhias transeuropeias, em que as regras são difusas versus as companhias de bandeira, bem como a concorrência das companhias do médio oriente, com ajudas estatais e regras fiscais muito vantajosas, estão a destruir o sector aeronáutico europeu. A tendência será o tráfego aéreo internacional para fora da UE ser monopolizado pelas companhias do médio oriente e o intra-europeu concentrado nas low cost. Tudo isto baseado nos baixos salários dos trabalhadores em geral e dos tripulantes em particular.

Contratos para pilotos feitos por brokers, em que o piloto é tarefeiro, trabalhando à hora voada, em que este suporta os custos de formação, qualificações e revalidações de licenças, em que as companhias não têm qualquer vínculo ao piloto é o futuro. E enquanto os wannabe's se endividarem em 100.000Euros para irem ganhar 1000 Euros como oficiais pilotos numa Vuelling ou RyanAir, ainda suportando do seu bolso revalidações e fardamentos, mais o custo de vida, casa, carro é um futuro pouco promissor e idêntico ao que originou o acidente ColganAir e afins. Sugiro que leiam isto:

https://www.eurocockpit.be/node/2161/

E vejam estes vídeos:

https://m.

https://m.

Saudações Aeronáuticas,

FlyHigh


JDelgado

unto deste debate é extremamente interessante. Mas tem de ser analisado de vários prismas, e não é exclusivo da aviação.
São poucos os sectores da actividade económica que não sofrem concorrência de origens diversas, a maioria dela com factores diferenciadores de origem fiscal.
Concorrentes de Países com salários mais baixos e regimes fiscais mais favoráveis todos encontramos nas nossas actividades profissionais.
É o resultado de muita coisa, mas não podemos ver só o lado mau e temos de continuar a andar para a frente e arranjar soluções.
No sector da aviação infelizmente muitas companhias de bandeira não estão preparadas nem nunca estarão para viver esta realidade por estarem amarradas a um sonho que já não existe.
Acordos de empresa que castram o mérito e promovem as atitude passivas, regalias iguais para todos que não têm em atenção o desempenho individual e não promovem o esforço, hábitos de ver a concorrência não como uma coisa natural mas como uma fatalidade, são tudo exemplos de situações que contribuem para o descalabro de muitas companhias de bandeira.
Estar no mercado implica sacrifício, esforço, adaptabilidade, mobilidade, mudança, e muita muita abertura de espírito a novas realidades de forma a antecipá-las.
Infelizmente não vejo nada disso em muitas companhias de bandeira.

Daí a importância de um choque para a realidade.

Bons voos

iloper

  • Mensagens: 1524
O assunto deste debate é extremamente interessante. Mas tem de ser analisado de vários prismas, e não é exclusivo da aviação.
São poucos os sectores da actividade económica que não sofrem concorrência de origens diversas, a maioria dela com factores diferenciadores de origem fiscal.
Concorrentes de Países com salários mais baixos e regimes fiscais mais favoráveis todos encontramos nas nossas actividades profissionais.
É o resultado de muita coisa, mas não podemos ver só o lado mau e temos de continuar a andar para a frente e arranjar soluções.
No sector da aviação infelizmente muitas companhias de bandeira não estão preparadas nem nunca estarão para viver esta realidade por estarem amarradas a um sonho que já não existe.
Acordos de empresa que castram o mérito e promovem as atitude passivas, regalias iguais para todos que não têm em atenção o desempenho individual e não promovem o esforço, hábitos de ver a concorrência não como uma coisa natural mas como uma fatalidade, são tudo exemplos de situações que contribuem para o descalabro de muitas companhias de bandeira.
Estar no mercado implica sacrifício, esforço, adaptabilidade, mobilidade, mudança, e muita muita abertura de espírito a novas realidades de forma a antecipá-las.
Infelizmente não vejo nada disso em muitas companhias de bandeira.

Daí a importância de um choque para a realidade.

Bons voos
A verdade crua. Não podia estar mais de acordo. O Europeu vive no melhor sitio para se viver no mundo. Está gordo, cheio de vícios e direitos. Está mal habituado. O Oriente está, por outro lado, cheio de vontade de ganhar a vida. Algo que os Europeus já têm. Ou se muda na Europa e nos tornamos novamente competitivos, como os alemães, ou fica difícil

Flyhigh

  • Mensagens: 202
O assunto deste debate é extremamente interessante. Mas tem de ser analisado de vários prismas, e não é exclusivo da aviação.
São poucos os sectores da actividade económica que não sofrem concorrência de origens diversas, a maioria dela com factores diferenciadores de origem fiscal.
Concorrentes de Países com salários mais baixos e regimes fiscais mais favoráveis todos encontramos nas nossas actividades profissionais.
É o resultado de muita coisa, mas não podemos ver só o lado mau e temos de continuar a andar para a frente e arranjar soluções.
No sector da aviação infelizmente muitas companhias de bandeira não estão preparadas nem nunca estarão para viver esta realidade por estarem amarradas a um sonho que já não existe.
Acordos de empresa que castram o mérito e promovem as atitude passivas, regalias iguais para todos que não têm em atenção o desempenho individual e não promovem o esforço, hábitos de ver a concorrência não como uma coisa natural mas como uma fatalidade, são tudo exemplos de situações que contribuem para o descalabro de muitas companhias de bandeira.
Estar no mercado implica sacrifício, esforço, adaptabilidade, mobilidade, mudança, e muita muita abertura de espírito a novas realidades de forma a antecipá-las.
Infelizmente não vejo nada disso em muitas companhias de bandeira.

Daí a importância de um choque para a realidade.

Bons voos
A verdade crua. Não podia estar mais de acordo. O Europeu vive no melhor sitio para se viver no mundo. Está gordo, cheio de vícios e direitos. Está mal habituado. O Oriente está, por outro lado, cheio de vontade de ganhar a vida. Algo que os Europeus já têm. Ou se muda na Europa e nos tornamos novamente competitivos, como os alemães, ou fica difícil

Boa tarde,

Claro que podemos ser mais competitivos, como os orientais. Baixem-se os ordenados para o nível dos orientais, acabe-se com as 40 horas semanais e deixe-se de remunerar as horas extra. Acabe-se com os descontos para a segurança social e com as reformas. Ficamos logo altamente competitivos.

Os alemães são altamente competitivos por várias razões em que nós não temos hipóteses de competir. Desde logo o custo de financiamento. Nós pagamos taxas de juro muito superiores aos alemães para financiar um negócio. Os alemães têm um sistema judicial que funciona, logo o investidor sabe que há consequências céleres para o incumpridor. A Alemanha especializou-se em produtos com elevado valor acrescentado, que não são de baixo custo, em que se paga a qualidade e a marca. A Alemanha não concorre com a China a fabricar Mercedes ou BMW, mas nós concorremos no têxtil e no calçado. A Alemanha compra os componentes, de baixo valor acrescentado e mão de obra intensiva e com baixa qualificação e depois transforma no produto final de elevado valor acrescentado.

É muito redutor dizer que os Europeus estão gordos e acomodados. A realidade é que o comércio livre tinha como objectivo permitir o desenvolvimento dos países do terceiro mundo para melhorar o seu nível de vida e introduzir regras idênticas às europeias por via da maior exigência no acesso a novos mercados. Ao invés foi uma maneira das grandes empresas internacionais maximizarem os lucros, por via da deslocalização, fazendo com que as condições de vida na UE estejam cada vez piores para quem trabalha. Está-se a nívelar tudo por baixo por via de regras diferentes de concorrência. Mas para os aciconistas das empresas é optímo, porque ganham cada vez mais e as empresas e o dinheiro não têm nação e muito menos responsabilidade social.

Por isso a União Europeia está em cada vez maior estado de desagregação, como esta geração dos 500 Euros e a viver em casa dos pais pode atestar.

O sector da aviação da Europa está cada vez mais a sofrer os efeitos desta desregulação, com os riscos inerentes, quer para os trabalhadores, como para os passageiros. Quando tudo corre bem, está optímo viajar a 10 Euros. Quando houver o buraco no chão, pintadinho a vermelho e se for ver o porquê, tipo o ColganAir, toda a gente vai mandar as mãos à cabeça e perguntar como foi possível. Depois quando se quiser pedir responsabilidades e indemnizações, e a companhia for Norueguesa, com COA irlandês, com tripulações alugadas a um broker de Singapura, sendo estes de várias nacionalidades, e a responsabilidade em caso de acidente estiver transferida para a Serra Leoa, e a indemnização por morte for determinada pelos tribunais desse país, nessa altura já não é tão boa a concorrência, nem o padrão oriental. Nessa altura é melhor a justiça do gordo Europeu.

Há sempre alguém que vai fazer a mesma coisa mais barata que nós, desde logo por via de terem menos regras, exigências e impostos que nós. Para as empresas, se não nos sujeitarmos a nívelar a nossa vida por baixo, as empresas mudam de sítio. Depois peçam hospitais, escolas, reformas, segurança e justiça, mas não vai haver. Porque só há desemprego ou emprego a 500 euros, e isso não sustenta o país. Por alguma razão já tão poucos pagam IRS, pois grande parte da nossa população já está nesses escalões de rendimentos e os cada vez menos cidadãos que ganham mais, por via fiscal são esmagados, para sustentar o sistema.

Isto são questões que dão para um tratado económico. Há os que vivem na ilusão que a conta não lhes vai chegar e há os que já estão a ver o caminho que isto leva e tentam mudar o rumo.

Saudações Aeronáuticas,

FlyHigh
« Última modificação: 03 de Fevereiro 2015, 16:49:10 por Flyhigh »


Alex

  • Banido do fórum
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Boa tarde,

Isto não é uma questão da TAP, é uma questão geral , que se aplica em particular ao sector aeronáutico. Seja Lufthansa com GermanWings/Eurowings, seja pela Ibéria com a Ibéria Express/Vueling, seja AirFrance/KLM com a Transavia, etc.

A desregulação, com companhias transeuropeias, em que as regras são difusas versus as companhias de bandeira, bem como a concorrência das companhias do médio oriente, com ajudas estatais e regras fiscais muito vantajosas, estão a destruir o sector aeronáutico europeu. A tendência será o tráfego aéreo internacional para fora da UE ser monopolizado pelas companhias do médio oriente e o intra-europeu concentrado nas low cost. Tudo isto baseado nos baixos salários dos trabalhadores em geral e dos tripulantes em particular.

"estão a destruir o sector aeronáutico europeu." Não vejo destruição nenhuma, pelo contrario, cria cada vez mais postos de trabalho.

Eu também gostava de voar na segunda-feira para o Brasil, voltar na sexta-feira e ganhar 600 contos a servir comida, quando o ordenado médio em Portugal se situava nos 40 contos. Os tempos áureos da loucura e dos excessos terminaram.

A aviação deixou de ser um luxo, hoje é uma necessidade para muitos. Os pilotos ganham assim tão mal, ou estavam a ganhar bem demais?

Pois vamos lá analisar o ordenado de um enfermeiro/a e de um tripulante de cabine, um Policia, Bombeiro … pois!

Estas sempre a evidenciar a segurança, na União Europeia existe um único regulamento, nunca vi as companhias LCC serem beneficiadas, alias estas evitam muitos dos protocolos, trocando a frota a cada cinco anos.

O mercado Europeu não está a ser destruído, está a mudar, é preciso evoluir e aceitar as mudanças.

Maintrol

  • Mensagens: 149
"estão a destruir o sector aeronáutico europeu." Não vejo destruição nenhuma, pelo contrario, cria cada vez mais postos de trabalho.

Eu também gostava de voar na segunda-feira para o Brasil, voltar na sexta-feira e ganhar 600 contos a servir comida, quando o ordenado médio em Portugal se situava nos 40 contos. Os tempos áureos da loucura e dos excessos terminaram.

A aviação deixou de ser um luxo, hoje é uma necessidade para muitos. Os pilotos ganham assim tão mal, ou estavam a ganhar bem demais?

Pois vamos lá analisar o ordenado de um enfermeiro/a e de um tripulante de cabine, um Policia, Bombeiro … pois!

Estas sempre a evidenciar a segurança, na União Europeia existe um único regulamento, nunca vi as companhias LCC serem beneficiadas, alias estas evitam muitos dos protocolos, trocando a frota a cada cinco anos.

O mercado Europeu não está a ser destruído, está a mudar, é preciso evoluir e aceitar as mudanças.
Na área dos transportes, a aviação é a área que mais depressa evolui e onde tudo o resto acompanha.
Só por desconhecimento é que se pode afirmar que no geral a segurança diminuiu e que as LCC beneficiaram para isso.

O salário dos pilotos baixou em média? sim. isso significa necessariamente pilotos mais burros e incompetentes? não. significa que a competitividade aumentou, as oportunidades aumentaram.
a formação tem evoluido. a legislação acompanha. o custo de formação tem baixado e a qualidade tem aumentado.
as novas tecnologias têm ajudado a isso.

Querem provas? Factos? Dados concretos? Vejam o indice de acidentes ou incidentes/voo na Europa.
Actualmente é mais facil voar, mais acessivel aos passageiros sem que a segurança tenha sido necessariamente sacrificada.

Manutenção de aviões? Está pior? É pior nas LCC? Não.
No geral, não só melhorou como continua a haver escassez de pessoal qualificado, competente e experiente. Não é à toa que por essa Europa Ocidental os salários sejam altos... excepto em Portugal. Tabelas salariais absolutamente arcaicas e que não fazem mais do que nivelar por baixo e impedir a correcta valorização do pessoal qualificado.

Portugal ainda vive à custa dos titulos honorificos, dos estigmas dos senhores doutores e engenheiros, das Ordens, do medomda concorrência, mesmo que esta seja interna.
Porque é que não ha mais concorrencia em Portugal? Anda tudo com medo que a TAP desapareça comida pelos glutões... Andam tão obcecados por essa ideia há mais de 20 anos, esqueceram-se que poderia muito bem haver mais companhias nacionais a fazer mais e melhor que a TAP e que poderiam ser motivo de maior orgulho.

Como é possivel haver 3 companhias em Portugal que têm uma excelente reputação a nivel internacional (White, Euroatlantic, HiFly), vivem saudavelmente num mercado competitivo (ACMI), são nacionais, não se baseiam no salário mínimo para sobreviverem (aliás, vivem, não sobrevivem), não sofrem das greves e sindicatos reivindicando ideias absurdas, prestam um serviço de qualidade e são seguras?
Porque é que a TAP nunca pôde viver internamente com concorrência? Porquê o proteccionismo? É simples. Porque a concorrência obrigaria a TAP a evoluir como devia e naturalmente alguns acomodados teriam os dias contados dentro da empresa.

Em toda a Europa, todas as companhias ditas de bandeira seguiram essa evolução necessária. Cresceram. Modernizaram-se. Souberam viver e crescer com a concorrência. BA, Airfrance, Iberia, Lufthansa souberam crescer com Virgin, Easyjet, Ryanair, Air Europa, Air Berlin, TUI... internamente.
Nenhuma dessas teve de comprometer segurança ou fiabilidade ou investimento para continuar a existir.

tareias77

  • Mensagens: 4867
 Maintrol, tens toda a razão. Enquanto que uma Iberia se restruturou, juntou-se á BA no grupo IAG e neste momento está a renovar a frota  e a crescer a nível de rotas, a Lufthansa está a racionalizar a sua actividade, criando LCC Longo curso e a fazer restruturações, em Portugal continua-se a achar que a TAP vai continuar a sobreviver nas actuais condições e que ainda vai crescer não sendo privatizada.

Lá está, os Portugueses em geral são avessos ás mudanças, quando isso implica cedências...
« Última modificação: 03 de Fevereiro 2015, 23:27:32 por tareias77 »


Flyhigh

  • Mensagens: 202

"estão a destruir o sector aeronáutico europeu." Não vejo destruição nenhuma, pelo contrario, cria cada vez mais postos de trabalho.

Eu também gostava de voar na segunda-feira para o Brasil, voltar na sexta-feira e ganhar 600 contos a servir comida, quando o ordenado médio em Portugal se situava nos 40 contos. Os tempos áureos da loucura e dos excessos terminaram.

A aviação deixou de ser um luxo, hoje é uma necessidade para muitos. Os pilotos ganham assim tão mal, ou estavam a ganhar bem demais?

Pois vamos lá analisar o ordenado de um enfermeiro/a e de um tripulante de cabine, um Policia, Bombeiro … pois!

Estas sempre a evidenciar a segurança, na União Europeia existe um único regulamento, nunca vi as companhias LCC serem beneficiadas, alias estas evitam muitos dos protocolos, trocando a frota a cada cinco anos.

O mercado Europeu não está a ser destruído, está a mudar, é preciso evoluir e aceitar as mudanças.

Boa noite,

O sector aeronáutico Europeu está a ser completamente destruído. No longo curso pelas companhias do médio oriente, dadas as suas condições concorrenciais altamente favoráveis, estando os postos de trabalho nas companhias europeias a ser transferidos para essas companhias e a haver decréscimo ou ausência de crescimento nas companhias europeias nessas rotas, com a consequente perda fiscal dentro da UE, aumento do défice da balança comercial por aumento das importações e quebra no PIB europeu.

No tráfego intra-europeu há transferência das legacy para as companhias low-cost trans-europeias, com aumento da precariedade, perda de receitas fiscais por deslocalização das receitas e do trabalho para paraísos fiscais.

No que se refere aos pilotos, os custos de formação são cada vez mais altos, e pior, foram transferidos na sua quase ou na totalidade das empresas para os pilotos.

Um piloto, quando entra para uma companhia aérea já tem de encargo só com formação cerca de 100.000 Euros, sem contar com os outros custos suportados durante a formação. Acresce que os pilotos são admitidos em muitas companhias, principalmente as low-cost transeuropeias, através de brokers, com contratos de tarefeiro, à hora, suportando o piloto todos os encargos com fardamento, revalidações, alimentação, etc.

Um piloto, durante toda a sua vida profissional é avaliado semestralmente em provas eliminatórias(LPC E OPC) e efectua ainda um Line Check anual e uma sessão de treino. Realiza exames médicos anuais ou semestrais consoante a idade e tudo o que faz é gravado e monitorizado. Que eu saiba não existe no mundo qualquer outra profissão objecto de tanto controlo e escrutínio.

Um piloto está sujeito a níveis de stress elevadíssimos, e a fadiga mental e física dado o ambiente extremamente agressivo em que desempenha as suas funções (radiação cósmica, hipóxia, variações de pressão, micro-vibrações, jet-lag, alterações de horários e trabalho nocturno em período crítico do ritmo circadiano).

Um piloto, para o habitual seguro de vida quando compra uma casa paga mais de prémio porque é uma profissão de risco. Banalizou-se o transporte aéreo e quer-se banalizar a profissão de piloto, mas esta continua tão ou mais exigente do que era há 20 anos atrás.

Massificaram-se as escolas de formação, mas os custos de formação são cada vez mais elevados. A formação é um negócio e muitas vezes um negócio para as próprias companhias aéreas.

Portanto não se queira comparar profissões incomparáveis. Quanto mais cortarem no salário e qualidade do treino de quem tem a vida de 100, 200 ou 300 pessoas nas mãos, quanto mais precário e fatigado estiver quem tem a vida do passageiro nas mãos, mais sujeito às pressões para ir para o ar senão não recebe, porque ganha à hora voada e no chão não recebe nada, etc, mais inseguro para todos será o transporte aéreo, mais esburacada fica a malha que evita o acidente.

O mercado europeu do transporte aéreo está a mudar, mas não está a evoluir, está sim a regredir. Podem estar a baixar as tarifas, mas isso tem um custo. Até ao dia em que correr mal, está tudo bem, depois se verá.

Os aviões têm um grande problema, não dá para encostar como um carro, atracar num Porto ou ser rebocado como um barco. Lá em cima não há ninguém para ajudar, a única certeza é que se vem para baixo. Podem considerar que a aviação é como a camionagem, mas não é. O problema é que está a ser tratada como se fosse, com todos os riscos inerentes. Podemos tapar o sol com a peneira e achar que está tudo bem, mas a realidade vai acabar por mostrar que não. Os Americanos já viram o problema, mas custou vários buracos no chão e dezenas de vidas. Parece que cá também vai ter de ser assim, a não ser que as pessoas abram os olhos.

Mas claro, é sempre melhor pensar que são é uns privilegiados a tentar salvar os seus chorudos ordenados!

Saudações Aeronáuticas,

FlyHigh

Alex

  • Banido do fórum
  • Mensagens: 1256

Porque é que a TAP nunca pôde viver internamente com concorrência? Porquê o proteccionismo? É simples. Porque a concorrência obrigaria a TAP a evoluir como devia e naturalmente alguns acomodados teriam os dias contados dentro da empresa.


A TAP foi sempre levada ao colo para todo o lado, nunca precisou de se modernizar ou evoluir, foi preciso entrar a Ryanair em Lisboa para finalmente se começarem a ver mudanças, mas temo que estas tenham chegado demasiado tarde, o que ai vem é alarmante para a TAP. Mais alarmante quando companhias estrangeiras já prestam um melhor serviço aos Portugueses.


O sector aeronáutico Europeu está a ser completamente destruído. No longo curso pelas companhias do médio oriente

Já reparaste bem no serviço luxuoso que oferecem? Investem bastante em prol do cliente, sou mais bem tratado numa económica da Emirates que na executiva da TAP, entretanto paguei metade na Emirates. 
A procura existe porque o produto é bom.

dadas as suas condições concorrenciais altamente favoráveis, estando os postos de trabalho nas companhias europeias a ser transferidos para essas companhias e a haver decréscimo ou ausência de crescimento nas companhias europeias nessas rotas, com a consequente perda fiscal dentro da UE, aumento do défice da balança comercial por aumento das importações e quebra no PIB europeu.

A balança comercial na União Europeia vive bem com isso, as companhias do médio oriente que continuem a trazer turistas e investidores para a Europa, alias até estão a salvar bastantes postos de trabalho na Europa.

No tráfego intra-europeu há transferência das legacy para as companhias low-cost trans-europeias, com aumento da precariedade, perda de receitas fiscais por deslocalização das receitas e do trabalho para paraísos fiscais.

Mas qual precariedade? Existe trabalho, trabalha-se ou agora as empresas são obrigadas a fazer contratos vitalícios?
As receitas vem do turismo e dos negócios, a Europa precisa de ter a sua população activa ocupada, isso sim são recitas, estimular o emprego, baixar o desemprego. Fechar o que não é rentável, dar o lugar a quem quer trabalhar.

No que se refere aos pilotos, os custos de formação são cada vez mais altos, e pior, foram transferidos na sua quase ou na totalidade das empresas para os pilotos.
Um piloto, quando entra para uma companhia aérea já tem de encargo só com formação cerca de 100.000 Euros, sem contar com os outros custos suportados durante a formação. Acresce que os pilotos são admitidos em muitas companhias, principalmente as low-cost transeuropeias, através de brokers, com contratos de tarefeiro, à hora, suportando o piloto todos os encargos com fardamento, revalidações, alimentação, etc.

Por acaso os que se queixam mais, são aqueles em que o estado pagou toda a formação.

Portanto não se queira comparar profissões incomparáveis. Quanto mais cortarem no salário e qualidade do treino de quem tem a vida de 100, 200 ou 300 pessoas nas mãos, quanto mais precário e fatigado estiver quem tem a vida do passageiro nas mãos, mais sujeito às pressões para ir para o ar senão não recebe, porque ganha à hora voada e no chão não recebe nada, etc, mais inseguro para todos será o transporte aéreo, mais esburacada fica a malha que evita o acidente.

Os riscos existem em todo o lado, agora estamos a falar do meio de transporte mais seguro do mundo.
Pela tua logica de pensamento, deixa lá ver a tabela salarial de um enfermeiro, esses sim, efectivamente salvam vidas diariamente, cuidam de quem realmente precisa e lidam com cenários nada fáceis … 728 euros

O mercado europeu do transporte aéreo está a mudar, mas não está a evoluir, está sim a regredir. Podem estar a baixar as tarifas, mas isso tem um custo. Até ao dia em que correr mal, está tudo bem, depois se verá.

Deveríamos continuar todos a pagar 500 euros para ir a Londres ou a Paris, 400 euros para as ilhas e 300 euros para o Porto, a única companhia aérea a operar nos aeroportos nacionais deveria ser a TAP e os contribuintes obrigados a pagar as suas dividas.

Maintrol

  • Mensagens: 149
O sector aeronáutico Europeu está a ser completamente destruído. No longo curso pelas companhias do médio oriente, dadas as suas condições concorrenciais altamente favoráveis, estando os postos de trabalho nas companhias europeias a ser transferidos para essas companhias e a haver decréscimo ou ausência de crescimento nas companhias europeias nessas rotas, com a consequente perda fiscal dentro da UE, aumento do défice da balança comercial por aumento das importações e quebra no PIB europeu.

...

No que se refere aos pilotos, os custos de formação são cada vez mais altos, e pior, foram transferidos na sua quase ou na totalidade das empresas para os pilotos.

...

Portanto não se queira comparar profissões incomparáveis. Quanto mais cortarem no salário e qualidade do treino de quem tem a vida de 100, 200 ou 300 pessoas nas mãos, quanto mais precário e fatigado estiver quem tem a vida do passageiro nas mãos, mais sujeito às pressões para ir para o ar senão não recebe, porque ganha à hora voada e no chão não recebe nada, etc, mais inseguro para todos será o transporte aéreo, mais esburacada fica a malha que evita o acidente.
A primeira afirmação é absolutamente falsa.
Esquece-se de dois outros factores económicos extremamente relevantes. O primeiro, o facto de essas companhias do médio oriente expandirem-se para a Europa levou a que houvesse uma maior oferta em relação ao que havia antigamente, permitindo o aumento do numero de lugares disponiveis por rota, a criação de novas rotas e a abertura de novos destinos para fora da Europa. Isto significa que a transferência de capitais aumentou significativamente em ambos os sentidos e, neste momento, há maior investimento do médio e extremo oriente na Europa, não necessariamente na aviação mas noutros sectores. Portanto, quanto a isso do défice fiscal, é falso o que diz.
Segundo, essa expansão levou a que na Europa houvesse uma maior contratação de pessoal para servir essas mesmas companhias externas.
Emirates, Etihad, companhias chinesas... todas elas na sua maioria até abriram rotas que nunca sequer existiam nem as companhias nacionais europeias sequer ofereciam anteriormente ou com oferta de lugares comparável.
Veja a Emirates e os destinos europeus. Quantos desses destinos anteriormente eram servidos por legacy nacionais e deixaram de o ser pela entrada da Emirates?

Os custos de formação só são mais altos do ponto de vista do piloto.
No geral, os custos não só baixaram como a formação é feita em menos tempo e o acesso ao crédito aumentou, o que explica em muito o porquê de actualmente haver um excesso de pilotos.
Sim, houve essa transferência de custos das companhias para os pilotos. Mas porque é que as companhias deveriam ser eternamente responsáveis pela formação inicial? Dantes eram porque os custos eram insuportáveis para os pilotos e não havia pessoas suficientes para tal! Hoje em dia é diferente, já não faz sentido.

A questão salarial, é simples: se uma determinada companhia oferece x ou y muito abaixo da média do mercado de tal forma que compromete o piloto psicologicamente e o assola poder constituir um perigo pois teme nao receber o suficiente para se poder sustentar, só tem uma coisa a fazer: recusar a oferta.
O facto de haver pessoas que aceitem esses postos só para terem emprego é que leva a que essas baixas ofertas existam.
Ninguem obriga um piloto a aceitar uma oferta baixa. A oferta está lá. Se nao gostam, não aceitam. Isto funciona em qualquer mercado altamente qualificado. E se ninguém pegar na oferta, a companhia só tem um caminho a seguir: melhorar a oferta. Senão, não arranja ninguém para preencher a vaga!
Há que mentalizar que as ofertas de emprego funcionam dos dois lados, do lado de quem oferece e do lado de quem procura.

iloper

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sula arábica: veio melhorar os serviços e ainda vem cá contratar os melhores
Europeias: adaptam ou morrem
Low cost: reduziram serviços que ninguém queria, mantendo tudo o que é preciso
Bandeira: adaptam-se ou morrem

Eu quero a TAP nacional, mas nestes moldes é muito difícil.


iloper

  • Mensagens: 1524
 esquecer o esperto do tuga que ia para a FA estudar e virava as costas e ia pra TAP... Ou seja, nós pagavamos os estudos
« Última modificação: 04 de Fevereiro 2015, 08:18:43 por iloper »


Flyhigh

  • Mensagens: 202
Bom dia,

Só não percebo porque é que estão sempre a falar na TAP. Isto é uma questão que afecta o sector do transporte aéreo a nível Europeu, decorrente da desregulação. Fenómeno idêntico ocorreu nos EUA, com graves consequências. Quem acha que está tudo bem, ilude-se, mas está no seu direito.

A minha irmã é médica, também tem a vida de várias pessoas nas mãos, mais ainda porque opera doentes. No entanto, quando tem um problema, uma complicação, tem vários colegas para ajudar, de várias especialidades, tem vários colegas para consultar e apoiar nas decisões, não está sozinha. E se mesmo assim tudo correr mal, e infelizmente o paciente não sobreviver, lamenta-se a morte só de uma pessoa.

Num avião, são só duas pessoas, não há mais ajuda, tudo é registado e gravado, todas as falhas e erros, e estão as vidas de 200 pessoas sempre no balanço. Parece muito fácil a jogar no flight simulator não é, mas a realidade é bem diferente. Numa aproximação, com mau tempo, a voar entre 350km/H e 250km/h, as coisas passam-se muito depressa. E isto em operação normal, ponham umas falhas ou um aeroporto menos normal, como o Funchal, a Horta, o Pico ou a Boavista, e a coisa torna-se mais interessante.

São os passageiros que definem o standard, a regulação na aviação existe tanto como na banca, que deu o colapso do sistema financeiro internacional e nacional. Continuem a acreditar que as regras e a regulação não permitem abusos. Na banca foi só dinheiro, nos EUA, foram dezenas de vidas, mas na Europa não, isso não acontece.

Licenças MPL, custos de treino e formação transferidos para o trabalhador, precariedade, tudo isso é contra a segurança.

As companhias do médio oriente concorrem com subsídios, com vantagens fiscais enormes, com vantagens em taxas de aterragem nos seus aeroportos. Optímo para o passageiro no imediato, péssimo para a UE. O fluxo financeiro está a deslocar-se todo para o médio oriente, eles investem para o retorno, ao destruírem a aviação europeia estão a ficar com as suas receitas.

Nenhuma companhia Europeia consegue concorrer em igualdade com as do médio oriente. Uma companhia do médio oriente paga o mesmo ordenado bruto que uma europeia ao trabalhador, só que a europeia ainda paga 23.5% de taxa social única e a do médio oriente não. O trabalhador da Europeia fica sem metade do seu ordenado em impostos e a do médio oriente fica com o ordenado todo "tax free".

E muito mais vantagens têm na concorrência directa com as Europeias.

É a minha opinião, veremos a prazo quem tem razão. Oxalá seja eu o errado.

Saudações Aeronáuticas,

FlyHigh

P.S: Só para esclarecer, o pessoal que vem da força aérea pagou com o seu serviço a formação que recebeu, quando sai tem de pagar a conversão da licença para Linha Aérea (que custa quase tanto como o curso), fazer e pagar o MCC e possivelmente ainda o Type rating para entrar numa companhia de aviação civil. Portanto não são as facilidades apregoadas.

JDelgado

Bom dia,

Só não percebo porque é que estão sempre a falar na TAP. Isto é uma questão que afecta o sector do transporte aéreo a nível Europeu, decorrente da desregulação. Fenómeno idêntico ocorreu nos EUA, com graves consequências. Quem acha que está tudo bem, ilude-se, mas está no seu direito.

A minha irmã é médica, também tem a vida de várias pessoas nas mãos, mais ainda porque opera doentes. No entanto, quando tem um problema, uma complicação, tem vários colegas para ajudar, de várias especialidades, tem vários colegas para consultar e apoiar nas decisões, não está sozinha. E se mesmo assim tudo correr mal, e infelizmente o paciente não sobreviver, lamenta-se a morte só de uma pessoa.

Num avião, são só duas pessoas, não há mais ajuda, tudo é registado e gravado, todas as falhas e erros, e estão as vidas de 200 pessoas sempre no balanço. Parece muito fácil a jogar no flight simulator não é, mas a realidade é bem diferente. Numa aproximação, com mau tempo, a voar entre 350km/H e 250km/h, as coisas passam-se muito depressa. E isto em operação normal, ponham umas falhas ou um aeroporto menos normal, como o Funchal, a Horta, o Pico ou a Boavista, e a coisa torna-se mais interessante.

São os passageiros que definem o standard, a regulação na aviação existe tanto como na banca, que deu o colapso do sistema financeiro internacional e nacional. Continuem a acreditar que as regras e a regulação não permitem abusos. Na banca foi só dinheiro, nos EUA, foram dezenas de vidas, mas na Europa não, isso não acontece.

Licenças MPL, custos de treino e formação transferidos para o trabalhador, precariedade, tudo isso é contra a segurança.

As companhias do médio oriente concorrem com subsídios, com vantagens fiscais enormes, com vantagens em taxas de aterragem nos seus aeroportos. Optímo para o passageiro no imediato, péssimo para a UE. O fluxo financeiro está a deslocar-se todo para o médio oriente, eles investem para o retorno, ao destruírem a aviação europeia estão a ficar com as suas receitas.

Nenhuma companhia Europeia consegue concorrer em igualdade com as do médio oriente. Uma companhia do médio oriente paga o mesmo ordenado bruto que uma europeia ao trabalhador, só que a europeia ainda paga 23.5% de taxa social única e a do médio oriente não. O trabalhador da Europeia fica sem metade do seu ordenado em impostos e a do médio oriente fica com o ordenado todo "tax free".

E muito mais vantagens têm na concorrência directa com as Europeias.

É a minha opinião, veremos a prazo quem tem razão. Oxalá seja eu o errado.

Saudações Aeronáuticas,

FlyHigh

P.S: Só para esclarecer, o pessoal que vem da força aérea pagou com o seu serviço a formação que recebeu, quando sai tem de pagar a conversão da licença para Linha Aérea (que custa quase tanto como o curso), fazer e pagar o MCC e possivelmente ainda o Type rating para entrar numa companhia de aviação civil. Portanto não são as facilidades apregoadas.

As preocupações levantadas pelo Forista Flyhigh são legitimas. No entanto temos de olhar para este assunto de outro prisma.
Sou um acérrimo defensor do valor trabalho e como sabemos tudo gira à volta do mesmo. Terra , trabalho e capital. São estes os factores de produção e tudo gira à volta deles.
É o equilíbrio entre esses três valores que tem permitido à nossa sociedade chegar onde chegou.
A aviação vive do trabalho qualificado e do capital. A questão é que o factor capital está reduzido à sua expressão mínima e têm de ser feitas correções. A aviação sofre com isso. Mas não é negativo, porque nos vai trazer novos modelos de negócio, novas ofertas, novas oportunidades, mais trabalho e melhores qualificações.
Os pilotos terão sempre o seu lugar primordial dadas as funções que exercem. Mas não se esqueçam precisam como poucos do factor capital. Sem aviões não há trabalho e para haver aviões é preciso $$$$,e para haver $$$ é preciso que o negócio crie $$$.
Os bilhetes a 10 euros têm o seu lugar no mercado ... mas os de 100 também, desde que o cliente tenha o devido retorno do que pagou . É  a velha lei da oferta e da procura que tanto nos tem dado. Pessoalmente quero que todos recebam em função do seu valor , do seu esforço, da sua responsabilidade e da sua vontade . O Zé não tem de ser igual ao António .... só porque o António tem a mesma categoria profissional.
De resto o que interessa é valorizar o factor trabalho e lutar por ele. Infelizmente os sindicatos de muitos sectores esqueceram isso e só olham para o seu umbigo.
Bons voos.
« Última modificação: 04 de Fevereiro 2015, 09:58:25 por JDelgado »


iloper

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Bom dia,

Só não percebo porque é que estão sempre a falar na TAP. Isto é uma questão que afecta o sector do transporte aéreo a nível Europeu, decorrente da desregulação. Fenómeno idêntico ocorreu nos EUA, com graves consequências. Quem acha que está tudo bem, ilude-se, mas está no seu direito.

A minha irmã é médica, também tem a vida de várias pessoas nas mãos, mais ainda porque opera doentes. No entanto, quando tem um problema, uma complicação, tem vários colegas para ajudar, de várias especialidades, tem vários colegas para consultar e apoiar nas decisões, não está sozinha. E se mesmo assim tudo correr mal, e infelizmente o paciente não sobreviver, lamenta-se a morte só de uma pessoa.

Num avião, são só duas pessoas, não há mais ajuda, tudo é registado e gravado, todas as falhas e erros, e estão as vidas de 200 pessoas sempre no balanço. Parece muito fácil a jogar no flight simulator não é, mas a realidade é bem diferente. Numa aproximação, com mau tempo, a voar entre 350km/H e 250km/h, as coisas passam-se muito depressa. E isto em operação normal, ponham umas falhas ou um aeroporto menos normal, como o Funchal, a Horta, o Pico ou a Boavista, e a coisa torna-se mais interessante.

São os passageiros que definem o standard, a regulação na aviação existe tanto como na banca, que deu o colapso do sistema financeiro internacional e nacional. Continuem a acreditar que as regras e a regulação não permitem abusos. Na banca foi só dinheiro, nos EUA, foram dezenas de vidas, mas na Europa não, isso não acontece.

Licenças MPL, custos de treino e formação transferidos para o trabalhador, precariedade, tudo isso é contra a segurança.

As companhias do médio oriente concorrem com subsídios, com vantagens fiscais enormes, com vantagens em taxas de aterragem nos seus aeroportos. Optímo para o passageiro no imediato, péssimo para a UE. O fluxo financeiro está a deslocar-se todo para o médio oriente, eles investem para o retorno, ao destruírem a aviação europeia estão a ficar com as suas receitas.

Nenhuma companhia Europeia consegue concorrer em igualdade com as do médio oriente. Uma companhia do médio oriente paga o mesmo ordenado bruto que uma europeia ao trabalhador, só que a europeia ainda paga 23.5% de taxa social única e a do médio oriente não. O trabalhador da Europeia fica sem metade do seu ordenado em impostos e a do médio oriente fica com o ordenado todo "tax free".

E muito mais vantagens têm na concorrência directa com as Europeias.

É a minha opinião, veremos a prazo quem tem razão. Oxalá seja eu o errado.

Saudações Aeronáuticas,

FlyHigh

P.S: Só para esclarecer, o pessoal que vem da força aérea pagou com o seu serviço a formação que recebeu, quando sai tem de pagar a conversão da licença para Linha Aérea (que custa quase tanto como o curso), fazer e pagar o MCC e possivelmente ainda o Type rating para entrar numa companhia de aviação civil. Portanto não são as facilidades apregoadas.

As preocupações levantadas pelo Forista Flyhigh são legitimas. No entanto temos de olhar para este assunto de outro prisma.
Sou um acérrimo defensor do valor trabalho e como sabemos tudo gira à volta do mesmo. Terra , trabalho e capital. São estes os factores de produção e tudo gira à volta deles.
É o equilíbrio entre esses três valores que tem permitido à nossa sociedade chegar onde chegou.
A aviação vive do trabalho qualificado e do capital. A questão é que o factor capital está reduzido à sua expressão mínima e têm de ser feitas correções. A aviação sofre com isso. Mas não é negativo, porque nos vai trazer novos modelos de negócio, novas ofertas, novas oportunidades, mais trabalho e melhores qualificações.
Os pilotos terão sempre o seu lugar primordial dadas as funções que exercem. Mas não se esqueçam precisam como poucos do factor capital. Sem aviões não há trabalho e para haver aviões é preciso $$$$,e para haver $$$ é preciso que o negócio crie $$$.
Os bilhetes a 10 euros têm o seu lugar no mercado ... mas os de 100 também, desde que o cliente tenha o devido retorno do que pagou . É  a velha lei da oferta e da procura que tanto nos tem dado. Pessoalmente quero que todos recebam em função do seu valor , do seu esforço, da sua responsabilidade e da sua vontade . O Zé não tem de ser igual ao António .... só porque o António tem a mesma categoria profissional.
De resto o que interessa é valorizar o factor trabalho e lutar por ele. Infelizmente os sindicatos de muitos sectores esqueceram isso e só olham para o seu umbigo.
Bons voos.
X2

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