José Alberto

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Companhias aéreas exigem pagamento de quase 4 mil milhões à Venezuela

A Associação Internacional dos Transportadores Aéreos (IATA, na sigla em inglês) exortou hoje o Governo da Venezuela a pagar os quase 4 mil milhões de dólares que deve às companhias aéreas, salientando que "a situação é insustentável".

"A situação é insustentável. Em março o Governo venezuelano prometeu às companhias aéreas que libertaria o dinheiro para repatriamento a uma taxa de juro justa, mas desde então houve não aconteceu nada", afirma a IATA num comunicado divulgado hoje, no qual explica que "as companhas aéreas estão empenhadas em servir o mercado venezuelano, mas não podem manter as operações indefinidamente se não lhes pagarem".

Em causa está o repatriamento para os países de origem dos lucros das companhias fruto da venda de bilhetes na Venezuela, que tem sido dificultada pelas leis cambiais do país e pelo "bloqueio do Governo venezuelano".

Há exatamente um mês, o Governo anunciou que prepara um calendário para pagar as dívidas de 3,8 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) que tem para com as linhas aéreas internacionais, por repatriação de capitais correspondentes às vendas de bilhetes.

O anúncio foi feito pelo ministro de Transporte Marítimo e Aéreo venezuelano, Hebert Garcia Plaza, à saída de uma reunião de trabalho com representantes das linhas aéreas.

O ministro sublinhou que os pagamentos vão ser efetuados ao valor do câmbio que estava vigente aquando das vendas - 4,30 bolívares por dólar em 2012, e 6,30 por dólar em 2013 - e que em 2014 se aplicará o valor referencial correspondente aos leilões do Sistema Complementar de Administração de Divisas (Sicad 1).

Na Venezuela está em vigor, desde 2003, um férreo sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga as companhias aéreas a terem autorização para poderem repatriar os capitais gerados pelas operações.

Para a Associação de Linhas Aéreas da Venezuela (Alav), o anúncio é "um passo de gigantes" na solução de um problema que afeta o setor, que viu 11 das 26 companhias que voam para Caracas reduzirem desde janeiro a oferta de lugares, nalguns casos até quase aos 80%, devido à impossibilidade de repatriar os capitais correspondentes às vendas.

Perante estas medidas, os utilizadores queixam-se de dificuldades para conseguir fazer reservas para viagens para o estrangeiro e que as empresas aéreas triplicaram os preços das passagens, nalguns casos para valores acima de 3.000 euros, para destinos europeus.

Para a IATA, a situação é dificultada pela volatilidade do próprio Governo, que em dezembro aumentou as taxas em 70% "sem qualquer consulta aos parceiros nem melhorias no serviço prestado" e implementou taxas especiais sobre as companhias para financiar atividades "que nada têm a ver com o transporte aéreo".

A consequência principal é a degradação do serviço aos passageiros, conclui a IATA, que lembra que no ano passado "11 das 24 companhias que operam de e para a Venezuela reduziram as operações entre 155 e 78%, e uma [a Air Canada] parou mesmo de voar para o país".

A TAP manteve até ao momento as três frequências semanais para a Venezuela e o mesmo número de passageiros.

Lusa.

Mais um país rebentado por delírios e utopias.

José Alberto

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Alitalia abandona a Venezuela pela dívida em divisas do Estado

A companhia aérea italiana suspende o serviço devido a um débito do Governo no valor de 3,8 bilhões de dólares em lucros e receitas

A companhia aérea Alitalia anunciou nesta quarta-feira que, a partir de 2 de junho, suspenderá o serviço da rota Roma-Caracas. A empresa italiana, que já no começo de maio havia reduzido a frequência de voos para apenas cinco semanais, é a segunda grande companhia aérea internacional que sai do mercado venezuelano desde que a Air Canada tomou a mesma decisão em meados de março.
 
A Alitalia ofereceu a devolução do custo dos bilhetes aos passageiros que eventualmente tenham comprado as passagens com antecedência e agora sejam afetados pela medida, que a empresa diz ser temporária até que "a situação se estabilize".

A situação mencionada pela companhia está relacionada à dívida em divisas que o Estado venezuelano retém para a repatriação de lucros e receitas de companhias aéreas internacionais e que, em seu conjunto, chega perto de 3,8 bilhões de dólares (8,4 bilhões de reais).

Desde que o regime chavista começou a enfrentar problemas em seu fluxo de caixa em 2012, comprometido por uma baixa produção de petróleo e exigências de gastos públicos cada vez maiores, deixou de entregar às companhias aéreas grandes somas em moedas estrangeira, correspondentes às transações em bolívares efetuadas em território venezuelano. O complicado esquema é devido ao sistema de controle de câmbio imposto pelo então presidente Hugo Chávez em 2003 e que seu sucessor, Nicolás Maduro, apesar de alguns gestos pragmáticos de reforma e abertura, não se animou a desmontar.

Depois de difíceis negociações e de algumas ameaças veladas por parte da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, com sede na Suíça), sobre uma suspensão geral das conexões aéreas para a Venezuela, o ministro venezuelano de Transporte Aéreo e Aquático, general Hebert García Plaza, ofereceu às empresas aéreas um plano de pagamento que, disse, contava com a aprovação do próprio presidente Nicolás Maduro. Apesar disso, as aéreas não receberam nem um dólar desde 30 de março, data da oferta.

Existe o temor de que a Alitália seja apenas outro nome de uma enxurrada de empresas dispostas a jogarem a toalha em um mercado de passageiros que, apesar de seu tamanho e poder aquisitivo, tornou-se custoso.

A Gol, que cobre a rota São Paulo-Caracas, informou nesta quinta-feira seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2014. Neles, destaca um prejuízo de 34 milhões de dólares (cerca de 75 milhões de reais), associado à depreciação do bolívar, a moeda venezuelana, já que tem fundos retidos na Venezuela equivalentes a 159 milhões de dólares (350 milhões de reais) pendentes de repatriação.

Os maiores credores do Governo no setor, como a American Airlines, Avianca, Copa e as companhias aéreas do grupo Latam, chegam a acumular cada uma contas a receber de até 400 milhões de dólares (888 milhões de reais), um fardo que afeta seus resultados financeiros e torna inviáveis suas operações locais. A crise leva a Venezuela a ter de enfrentar o risco certo de ficar isolada por via aérea. O país conta com uma companhia de bandeira oficial, a Conviasa, e duas empresas privadas com poucos aparelhos, desempenho medíocre e apenas umas poucas rotas e destinos internacionais.

O descumprimento do pagamento, com as repercussões que pode acarretar, deixa em evidência o aperto em que se encontra o Governo venezuelano em meio a uma crise econômica sem precedentes. O Estado, que define a seu critério a concessão de divisas, não entrega nem o suficiente para satisfazer a demanda de moeda estrangeira para a importação de insumos industriais e produtos de consumo básico. A Venezuela, um rico produtor de petróleo cuja fatura de exportações de hidocarbonetos resulta em média numa receita de 100 bilhões de dólares (220 bilhões de reais) por ano, carece, no entanto, de infraestrutura para o setor manufatureiro e importa quase tudo. Uma escassez crônica e a maior taxa de inflação do mundo ocidental são os resultados dessa conjuntura.

As Empresas Polar, o maior conglomerado industrial privado do país, aguardam a liquidação de solicitações de divisas no valor de 189 milhões de dólares (420 milhões de reais) somente para suas fábricas de produção de alimentos, segundo informou em um relatório próprio divulgado por meios de comunicação de Carcas. Há duas semanas a Polar teve de paralisar provisoriamente a produção de massas de trigo por falta de matéria-prima.

Uma série de notícias de teor semelhante chegou durante os últimos dias da indústria automobilística. General Motors, Toyota e Ford interromperam a produção de veículos em vista da falta de peças para a montagem. Em cada caso, antes de retomar a produção, foi necessária a intervenção direta do ministro do Transporte Terrestre, Haiman El Troudi, que prometeu arranjos especiais para as multinacionais, os quais permitiriam superar os gargalos na entrega de divisas.

Porta-vozes da Câmara Venezuelano-Americana de Comércio(VeAmCham) calculam em 15 bilhões de dólares (32 bilhões de reais) o montante das linhas de crédito perdidas por seus associados por causa da impossibilidade de pagar os provedores estrangeiros.

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/05/16/internacional/1400197976_375511.html

Rex

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Para se ter uma noção da gravidade do problema, a dívida da Venezuela à nossa TAP rondava o ano passado cerca de 50 milhões €.

José Alberto


MarcoGVA

Obrigado, José Alberto, estava curioso de conhecer a divida para com a TAP... Mesmo se estes valores já têm 6 meses, é sempre interessante para ter uma noção, porque este valor já deve ter subido bastante.

jopeg

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Caros,

In DN:
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Venezuela deve 100 milhões de euros à TAP

por DN.pt

TAP não vai suspender a ligação Lisboa-Caracas.
Fotografia © Sara Matos / Global Imagens

Um conflito entre as companhias de aviação e o Governo Venezuelano deixa 100 milhões de euros da TAP, provenientes da venda de bilhetes, retidos no país.

Há várias companhias aéreas envolvidas neste conflito. O Governo Venezuelano recusa-se a libertar os lucros das vendas de bilhetes de avião feitas no país, e exige às transportadoras taxas de câmbio para o dólar muito superiores às praticadas noutros setores da economia.

Enquanto outras companhias aéreas optaram por reduzir ou mesmo parar os voos para o país devido à situação, a TAP preferiu manter as ligações em funcionamento enquanto continuam as negociações com o Governo de Nicolás Maduro. O Público cita uma fonte oficial do gabinete de Paulo Portas, que afirmou que "o assunto tem, de facto, sido abordado nas últimas comissões mistas com o Governo da Venezuela."

Maduro prometera regularizar a situação, mas este ano foi apenas devolvida uma pequena quantia do total retido no país. Segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo, a dívida ascenderá a 2771 milhões de euros, pertencentes a 13 companhias de aviação.

Uma das razões para a manutenção da ligação Lisboa-Caracas prende-se com a grande quantidade de emigrantes portugueses na Venezuela, que dependem desta transportadora aérea para se deslocarem a Portugal. Contactada pelo Público, a TAP declarou que "a rota de Caracas não está em dúvida."


Jopeg

iloper

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cruzov

  • Administrador
  • Mensagens: 499
Caro iloper,

O comentário anterior quer dizer o quê, exactamente?

iloper

  • Mensagens: 1524
Caro iloper,

O comentário anterior quer dizer o quê, exactamente?
O nosso ex-pm tem la muitos amigos. Podia ter desbloqueado a situaçao

José Alberto

O "desbloqueio" é que a República Bolivariana pura e simplesmente está na ruína. E agora com o petróleo em mínimos de anos, não há milagres.

Jetstream

  • Mensagens: 838
Entretanto a Iberia é a ultima companhia a ameaçar sair da Venezuela..

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A Iberia poderá ser a próxima companhia aérea internacional a abandonar a rota da Venezuela. Correm rumores em Madrid de que a empresa está a avaliar o dossiê e já admite essa hipótese, nomeadamente depois de declarar nas contas do seu último exercício anual que estão retidos pelo Governo de Caracas 106 milhões de euros.

A companhia espanhola que integra o Grupo IAG juntamente com a British Airways e a Aer Lingus tem presentemente quatro ligações semanais (já teve voos diários) entre Madrid e Caracas e não se queixa da falta de passageiros. O problema é a repatriação de divisas e a falta que esse dinheiro faz na gestão da companhia.

Willie Walsh, presidente executivo do Grupo IAG, reconheceu há poucos dias que a companhia tem no total 184 milhões de euros retidos em Venezuela (mais 78 milhões do que declarado no último balanço anual) e que é “frustrante ter dinheiro e não poder dispor dele”. Nas declarações feitas a jornalistas em Madrid, Walsh admite que a companhia venha a deixar de voar para Caracas: “Não podemos voar para destinos onde não conseguimos receitas”, adiantou o responsável pela gestão do grupo aéreo, percebendo-se nestas declarações a disposição de abandonar a rota, pelos mesmos motivos que algumas outras companhias já deixaram aquele país sul-americano.

Nas contas da Iberia, em 2014, já tinham sido incluídas perdas extraordinárias provenientes das ligações para Venezuela que atingiram 82 milhões de euros, o que influenciou os resultados da companhia aérea espanhola, pois fechou o ano com um resultado líquido de 87 milhões de euros antes de juros, impostos, amortizações e depreciações (EBITDA).

Nos últimos meses três companhias internacionais anunciaram o abandono da rota de Caracas, devido ao mesmo problema: Alitalia, Lufthansa, LATAM Airlines e Aeroméxico.

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