Jorge78

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Em TSF

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Segurança aérea: "confia-se em Fátima". Até o telefone de urgência foi cortado

Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes diz que é urgente criar uma taxa de 20 cêntimos paga por bilhete de avião. Sem isso, Portugal vai continuar sem capacidade para investigar acidentes.

"Estrangulado por um garrote até à inoperacionalidade". É assim que o diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) descreve o estado da entidade que dirige, independente mas tutelada pelo Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.

Por lei, o GPIAA é a entidade responsável no Estado por prevenir e investigar qualquer acidente aéreo em Portugal, mas num texto que escreveu para a comunidade do setor, Álvaro Neves admite que este organismo é "incapaz de liderar uma investigação de um grande acidente aéreo em território nacional".

O que vale é Nossa Senhora de Fátima

O diretor do GPIAA vai mais longe e diz que os governos atuam assim "talvez por continuarem convencidos que a Nossa Senhora de Fátima nos livrará de um acidente grave", algo que Álvaro Neves sublinha que é quase inevitável de acontecer mais tarde ou mais cedo quando pois o país tem cerca de 600 mil movimentos de aviões por ano.

Em entrevista à TSF, o responsável reafirma tudo o que escreveu e ainda lamenta a falta de resposta do anterior governo e do atual a uma proposta: criar uma nova taxa de 20 cêntimos por bilhete de avião para pagar o trabalho do GPIAA ou tirar esse valor da atual taxa de segurança aérea já paga em cada voo.

Álvaro Neves diz que se essa solução não for para a frente não vê solução para a prevenção e investigação de acidentes em Portugal, numa altura em que tem mais de 100 processos pendentes, além de uma enorme falta de meios humanos, materiais e financeiros.

Até o telefone de emergência já foi cortado

O diretor do GPIAA conta que este ano a situação complicou-se ainda mais. De um orçamento curto de 500 mil euros que já não dava para muita coisa fundamental, o atual governo cortou 40% o que levou a que o gabinete seja "incapaz de cumprir as obrigações financeiras do dia-a-dia", para já não falar das viagens dos investigadores, algo essencial em determinados processos ou ações de prevenção.

Álvaro Neves evita dar pormenores, mas admite que tem tido ameaças de fornecedores e já houve dias em que o GPIAA ficou sem comunicações, inclusivamente na linha de emergência para reportar acidentes.

Este é um número público disponível 24 horas por dia para avisar da ocorrência de qualquer acidente com uma pequena ou grande aeronave. O corte de comunicações durou três dias quando por lei o reporte de acidentes deve ser feito em 6 horas.

O responsável do GPIAA acrescenta que a taxa de 20 cêntimos seria fundamental para criar, também, um fundo de reserva para o Estado em caso de acidente grave.

Álvaro Neves dá o exemplo de um acidente na enorme zona marítima portuguesa. Normalmente ir ao fundo do mar buscar uma caixa negra custa milhões de euros. Portugal não tem meios para isso e em caso de acidente é preciso atuar com urgência.

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/seguranca-aerea-confia-se-em-fatima-ate-o-telefone-de-urgencia-foi-cortado-5448682.html

nunopinheiro

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600 mil movimentos a uma media de 150 pax implica 18.000.000 € é simpático...

PedroB

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A investigação de acidentes aéreos em Portugal é realmente uma vergonha. Não por causa da qualidade dos investigadores mas sim pela falta de meios técnicos e humanos no GPIAA.

SafetyJo

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Creio que se aplica a tal máxima: " Se pensam que a segurança operacional é cara, experimentem então os custos de um acidente". A tradução pode não ser a melhor mas julgo que se compreende o sentido da frase.

O GPIAA debate-se com estes problemas há já muito tempo. Vai dando para as encomendas porque felizmente não houve ainda uma tragédia de grandes proporções.
E que não se julgue que os investigadores se formam com um curso para toda a vida. Há uma aprendizagem continua, com base em acidentes e pesquisas. É necessário fazer parte desses grupos para "refrescar" conceitos, métodos, ideias.

A segurança operacional baseia-se na prevenção e na promoção. Um dos pilares do SMS é o compromisso (commitment) de quem dirige neste caso o sector da aviação em Portugal e consequentemente o Governo.

Essa taxa de 20 cêntimos seria apenas mais uma taxa, se o dinheiro não for empregue de forma certa. Cada aeronave que cruza o espaço aéreo nacional paga. Nessa taxa está incluído o Serviço de Busca e Salvamento. Olhemos aos meios para SAR que possuímos e o que podemos fazer com eles tendo em conta o imenso espaço aéreo e área SAR que Portugal detém.

ClearedForTakeOff

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    • Aviation Blog
A verdade é que há imensos pequenos acidentes (ULM e ligeiros), mas muitos deles mortais.
E com aviões grandes, somando hard landings e tail strikes, existe um número residual consistente, apenas não mortal.

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