Pedro Júnior

Exmo Sr. Vítor Costa.


Primeiramente, gostaria de agradecer, desde já, pela disponibilidade para a leitura dessas linhas. Sabe-se que a Azores Airlines é uma empresa distinta e que a Sata Air Acores, sendo a primeira do grupo, está relacionada com a primeira. Com isso, dirijo-me a vós, não pelos melhores motivos, mas sim para reportar algo que está prestes a acontecer, ou devido a morosa resposta dos recursos humanos, já ocorrera.

Sou um dos formandos da Primeira Turma 2018 do Curso Inicial de Tripulante de Cabine, ministrado pela Sata Air Açores e realizado no CFAA em Santa Maria.

Tive conhecimento do curso através da evento que ocorreu no Air Summit, na cidade de Ponte de Sor. Neste evento havia diversas escolas a fornecer o mesmo curso, e de todas, escolhi formar-me no CFAA.

Optei pela CFAA/Sata pela credibilidade que a empresa goza no mercado e por possuir um dos melhores centros de formações aeronáuticas da Europa. Ausentei-me 5 semanas de Lisboa e da minha família, para estar com os melhores formadores e, assim, ter uma instrução para a função de tripulante de cabine.

Esse objetivo foi concluído com muito sucesso. O curso superou em muito todas as minhas expectativas.

Nas entrevistas que tenho realizado para Tripulante de Cabine, orgulho-me de minha formação inicial junto à CFAA.

Contudo, esse orgulho foi duramente abalado na passada semana.
Há 15 dias, recebemos um e-mail dos recursos humanos da Sata para candidatar-nos ao processo seletivo para Tripulante de Cabine. Processo esse que meus colegas de curso e eu tanto ansiávamos em participar, sobretudo por se tratar de recrutamento realizado pela nossa entidade formadora. Todos em geral esperávamos por esse momento. O e-mail com a convocatória chegou no meio do dia de uma sexta-feira e deveríamos enviar toda a documentação até ao meio-dia da próxima segunda feira. Tínhamos menos de 24h úteis para organizar tudo e estar aptos para o concurso. Assim o fiz como todos meus amigos/colegas. Recebemos o e-mail de confirmação e validação da participação do processo seletivo que terá início, agora, na segunda-feira, dia 29, em Ponta Delgada.

Contudo, infelizmente, aqueles que residem fora do arquipélago dos Açores foram automaticamente excluídos do processo. Soube por que liguei e questionei o porquê de não ter recebido o e-mail de confirmação do local dos testes psicotécnicos que terá lugar em Ponta Delgada.

Até então, como somos do continente e no documento anexado ao processo de recrutamento, no parágrafo 5 declara-se: “o processo de seleção, que irá decorrer em Ponta Delgada e/ou Lisboa será composto por diversas fases distintas e seletivas/eliminatórias, nomeadamente”. Logo, supus que haveria em Lisboa processo distinto em data posterior. Foi quando soube, pelo departamento de RH, após eu ligar e questionar a ausência de informações, que não haveria o processo de Lisboa e, mais: todos, que tivessem residência fora do arquipélago dos Açores, estariam automaticamente eliminados por contenção de gastos da Sata.

Não nos deram nem o direito de participar do processo seletivo. Simplesmente tiraram todos os nossos sonhos e expectativas de forma automática.
Nunca me perguntaram se eu queria continuar no processo, mesmo que ele fosse realizando nos Açores. Nunca me perguntaram se eu teria condições financeiras para deslocar-me aos Açores. Eu organizei-me para essa possível eventualidade de me deslocar aos Açores para realizar os testes. Mas, nem a oportunidade de participar do processo me fora dada, nem a mim ou a qualquer dos colega residentes, fora dos Açores.

Jamais esperei que a empresa excluísse um candidato por não residir na cidade onde há a vaga de trabalho. É possível que se mude de cidade, como sempre deixei como minha possibilidade. Sinto-me aborrecidamente descriminado e injustiçado!

Digo por mim, estou completamente indignado com tamanha injustiça. Fomos formados pela Sata Air Açores, empresa mãe do Grupo onde está a Azores Airlines. Optei pela CFAA/Sata como a minha entidade formadora, sempre tive as melhores expectativas em participar do processo seletivo e simplesmente dizem um "não" a nós, formados pela CFAA/Sata. 

Como isso é possível?

Peço, encarecidamente, o favor de reverem o processo, tornando-o mais inclusivo. Não desejaria ir voar para as arábias, prefiro ser um bom profissional em Portugal, quero ser um bom profissional na Sata ou Azores Airlines.

Aguardo um posicionamento.


Agradecido,
Pedro Júnior

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