Cebola

  • Mensagens: 446
A aplicação de imposto em voos domestico até faz algum sentido mas desde que haja alternativas viaveis em termos de distancia/tempo da viagem. Neste racio até poderiamos incluir constragimentos dos aeroportos no embarque e desenbarque.
Mas somente onde existe alternativas viaveis.
Nos EUA, num voo que atravesse o pais, este imposto não se aplicaria por não haver alternativa viavel. Agora nos voos domesticos dentro de um estado, julgo que muitos voos seriam elegiveis a serem taxados.
« Última modificação: 15 de Maio 2019, 11:31:44 por Cebola »


toto1100

  • Mensagens: 5547
Nos EUA ja ha imposto sobre o jet fuel de voos domesticos (e a gasolina da aviacao ligeira) ha bastantes decadas.
« Última modificação: 15 de Maio 2019, 16:58:56 por toto1100 »


Byte Boador

  • Mensagens: 391
O combustível para aviação nos EUA é bem mais caro do que na Europa e tendo em conta o que se vai ouvindo na frequência, fica-se com a ideia que o piloto americano dá primazia a voar níveis mais baixos seja por radiações ou mesmo com turbulências ligeiras.
Have no fear of perfection - you'll never reach it.

Salvador Dali

nunopinheiro

  • Mensagens: 6046
Bem é mais uma coisa para o consumidor pagar, mas como é por um bom motivo (menos emissões) tendo a concordar, mas vai ser difícil de implementar, idealmente seria global para todas as companhias e estados. Mas claro que isso é complicado e alguns estados viriam nisso uma possivel vantagem competitiva para a suas empresas.

toto1100

  • Mensagens: 5547
Mas tambem convenhamos que é um bocado parvo a aviacao (nao so o combustivel, a aviacao em geral) ser praticamente o unico setor da economia (devido a uma "aberracao" legal, que é a Convencao de Chicago; hoje em dia ninguem poria tal coisa no papel) que nao tem praticamente qualquer tipo de imposto aplicado a grande parte da sua operacao. De resto qualquer coisita que se faca na Europa paga pelo menos IVA (Portugal penso ser dos poucos paises da UE que aplica IVA a voos domesticos).

E depois pagamos taxa de carbono para ir trabalhar (e bem), mas vamos de ferias emitindo na viagem mais carbono do que no resto do ano todo e esta isento de qualquer imposto.

Acácio Pires

  • Mensagens: 1295
    • Gostaria de debater o tema da aviação com um olhar centrado na sustentabilidade social e ambiental
Meus caros, fico contente por verificar o ambiente geral de estranheza com as isenções fiscais de que a aviação é beneficiária.

Mais contento fico de verificar que as objecções quanto às implicações económicas da aplicação de ISP e IVA ao Jet fuel nos termos do estudo que a Comissão Europeia apresentou, e que muito a propósito aqui foi colocado pelo toto, deixaram de existir - é a prova de que noutro tópico em que isto foi discutido existiu manifesto exagero dos efeitos da departure tax na economia.

A comissão europeia estima que com a aplicação de ISP e IVA ao Jetfuel em Portugal resultaria na queda de até 11% no número de passageiros. mas as implicações no emprego seriam negligenciáveis - eu nunca fui tão longe como a CE vai.

Entretanto novos e preocupantes dados:

http://www.dgeg.gov.pt/
Combustíveis Fósseis - Estatísticas Rápidas – fevereiro 2019

Consumo Global - Mercado Interno (ktep)
Gás Natural  4944 (-8.5%)
Prod. do Petróleo 7425 (-1%)
Carvão 2629 (-18%)
Total 14 999 (-6.9%)

Aviação
Jet 1608,7 (7%) *

Bancas Marítimas *
Gasóleo 245 Kt (10.3%) 247.45 ktep
Fuel 801 kt (11.3%) 788.2 ktep
Total 1046 kt (11%) 1035.65 ktep

Consumo Global (Mercado Interno + aviação e bancas marítimas) - 17643.35

Consumo da aviação em relação ao total - 9.12%

Conclusão se o consumo de Jet Fuel e de combustíveis fósseis no mercado interno se mantivessem se mantivessem ao ritmo actual em 2030 o Jet representaria entre 25% a 30% do consumo global de combustíveis fósseis em Portugal e das correspondentes emissões de GEE

Não existe alternativa a:
Por um lado retomar o investimento forte e decidido nas redes ferroviárias de alta velocidade (Lisboa-Bruxelas 8h; Lisboa-Paris 6h30; Lisboa-Madrid 2h45; Lisboa-Porto 1h15)
Por outro moderar a procura pelo transporte aéreo através de um progressivo reforço da pressão fiscal.

Condição essencial. Reciclar as receitas fiscais obtidas com a aviação através do investimento dessas receitas na diversificação e qualificação da oferta turística e no investimento de modos de transporte mais sustentáveis


*Conversão de kt em ktep
(http://sgcie.publico.adene.pt/_layouts/SGCIE_ExternalEntities/ConversorSGCIE.aspx)

nunopinheiro

  • Mensagens: 6046
Para falar de comboios tem o fórum Skyscraper. Passe bem.

De resto duvido muito que ande muito de comboio, eu que o uso sempre que ando a trabalhar pelo eixo Berlim Amesterdão nem em pesadelos me metia a atravessar a península para chegar a Paris ou QQ outra capital que não Madrid por comboio.

Até 700 km é comptitivo mais que isso nem por isso
« Última modificação: 22 de Maio 2019, 12:19:04 por nunopinheiro »


nunopinheiro

  • Mensagens: 6046
De resto parece que pode ser que haja solução para a aviação, https://www.kubagen.co.Uk/ se isto funcionar estamos a falar de densidades energéticas uteis ao nível do jetfuel e é hidrogeno, que se pode recarregar simplesmente enchendo o deposito.

Se isto funcionar as implicações serão tremendas, automóvel, carga marítima, aviação, ate ferrovia...
« Última modificação: 22 de Maio 2019, 12:32:02 por nunopinheiro »


VidocQ

  • Mensagens: 364
...
redes ferroviárias de alta velocidade (Lisboa-Bruxelas 8h; Lisboa-Paris 6h30; Lisboa-Madrid 2h45; Lisboa-Porto 1h15)
....

 ??? Ai essa realidade... só Madrid-Paris (em TGV) são 9h38 no minimo...  ::) ::) ::) [Fonte: https://www.oui.sncf/train/horaires/paris/madrid]

 ??? Ai essa física e matemática... só Lisboa-Madrid-Paris (em TGV) seriam TEORICAMENTE 5h50 no minimo à velocidade máxima (sem contar com aceleração/desaceleração, curvas, subidas, descidas e paragens...)  ::) ::) ::)
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E195 / E190 / E145 / CRJK(X) / CRJ9 / F100 / RJ85 / AT76 / DH8D(NG)
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aviationlover

  • Mensagens: 1206
De resto parece que pode ser que haja solução para a aviação, https://www.kubagen.co.Uk/ se isto funcionar estamos a falar de densidades energéticas uteis ao nível do jetfuel e é hidrogeno, que se pode recarregar simplesmente enchendo o deposito.

Se isto funcionar as implicações serão tremendas, automóvel, carga marítima, aviação, ate ferrovia...

Eu na minha opinião o hidrogeneo é o futuro, o problema que se pode colocar é o preço do dito.

nunopinheiro

  • Mensagens: 6046
aviationlover, o preço deverá andar por volta do mesmo da eletricidade*2 idealmente o hidrogeno seria produzido com excesso de renováveis em, particular vento offshore, permitindo assim um investimento muito mais substancial em renováveis, se o preço por km andar a volta do atual preço dos combustíveis com base em hidrocarbonetos então faz sentido. E isso não me parece de todo impossível.

Um dos probelamas que tenho com as baterias em particular as de carga rapida é que potencialmente fariam aumentar as emissões de CO2, uma vez que os seres humanos são tipos de habitos o mais provavel é que a vasta maioria destes colocassem o carro a carregar a mesma hora obrigando a rede electrica a ligar todas as centrais de carvão a essa hora.


VidocQ se usarmos como referencia a ligação Paris-CDG-> Bruxelas. duração 90 minutos temos uma velocidade media de 180 km/h
Que implica para os 1900 km Lisboa Madrid Paris ... 10h e 40 minutos mais coisa menos coisa.

TGV optimo para viagens medias ate 500km onde a velocidade menor do TGV é compensada pelo facto de nos deixar no centro da cidade e não temos de passar por 2 aeroportos. Muito para alem disso os 800 km/h dos aviões deixam os TGV muito  pouco competitivos
« Última modificação: 22 de Maio 2019, 18:10:49 por nunopinheiro »


toto1100

  • Mensagens: 5547
Outra vez a historia do carvao? Nao ha capacidade a carvao para nada disso (a eletricidade representa muito menos consumo energetico que os transportes).
E obviamente que nao se construiria novas centrais a carvao (ja nem a China quase o faz, embora amiude se continue a ler por ai que construem uma por semana). Nesse cenário (que se evitaria facilmente pondo preços adequados) talvez fosse preciso capacidade fossil, mas viria de gas natural (1/4 ou 1/3 do gas natural extraido no mundo continua a ser queimado mal sai da terra por nao haver uso) nao de carvao. E mudar de gasolina para gas natural era um ganho consideravel.

VidocQ

  • Mensagens: 364
VidocQ se usarmos como referencia a ligação Paris-CDG-> Bruxelas. duração 90 minutos temos uma velocidade media de 180 km/h
Que implica para os 1900 km Lisboa Madrid Paris ... 10h e 40 minutos mais coisa menos coisa.


Certo, por isso é que eu expressei fortemente o TEORICAMENTE. (1900kms a 320kmh condições ideais etc..etc..etc..) E daí realçar o ridiculo dos tempos expostos... face à realidade. Basta saber fazer uma simples conta e ver que as coisas não batem certo...

TGV optimo para viagens medias ate 500km onde a velocidade menor do TGV é compensada pelo facto de nos deixar no centro da cidade e não temos de passar por 2 aeroportos. Muito para alem disso os 800 km/h dos aviões deixam os TGV muito  pouco competitivos

Eu diria um pouco mais, até 700-800kms... com jeitinho vá... se contarmos com o tempo no aeroporto de 1h antes do vôo e uma deslocação média de 1h para transportes (30 mins até aeroporto + 30 mins até ao centro)...
Exemplo: Paris-Marselha (em avião: 660kms linha recta - 1h espera + 1h20 vôo + 1h transportes = 3h20 de viagem ; em comboio: 700kms 3h00 nonstop / 3h20 com 2 paragens)
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nunopinheiro

  • Mensagens: 6046
Toto1100 carvão ou gás, tem de ser qq coisa que se possa ligar e desligar com um interruptor, as centrais a carvão tem a vantagem de serem mais simples para lidar com stocagem do combustível que é algo importante para lidar com a intermitencia, em relação a emissões por kw não sei quanto o gás natural é melhor que o carvão.

agora que penso na questão da intermitência, se-calhar gaz é melhor, não sei bem os tempos de spin up de um ou outro tipo de central...

seja como for como tipo que gostava de ver as emissões muito reduzidas, e para isso só com maus renováveis na grelha, e isso só será possivel se existir alguma forma de acumulação de excesso de produção... dai gostar do hidrogeno, (não o hidrogeno atual via reforma de metano ou gaz)

Acácio Pires

  • Mensagens: 1295
    • Gostaria de debater o tema da aviação com um olhar centrado na sustentabilidade social e ambiental
Caros,

Também gosto muito do hidrogénio.
Em 1998 apresentei um plano de transição para o hidrogénio em 20 anos em Portugal.
Em 2000 arrancou o plano Islandês.
https://h2me.eu/2018/06/15/two-new-hrs-open-to-the-public-in-iceland-now/
A UE tem planos ambiciosos e o plano alemão para 2023 parece interessante (aliás as fuelcells e os motores elétricos são duas tenologias conhecidas à mais de 100 anos que poderiam e deveriam ter evitado a tragédia que vivemos actualmente) - http://h2me.eu/wp-content/uploads/2018/11/H2ME_Emerging-Conclusions-_project-overview.pdf

A necessidade de armazenamento de electricidade de origem renovavel (Portugal instalará cerca de 10GW de solar até 2030), tornará inevitável o avanço da hidrólise para estabilizar microredes.

A Aviação pode e deve avançar nessa direcção, mas enquanto não se move deve ser colocada numa gaiola de carbono.

A ferrovia continua a ser perferivel à aviação 'hidrogenada' por motivos de eficiência energética, pelo que o investimento em redes de alta velocidade não é um desperdício.

Entretanto convido os caros foristas a assinar a petição europeia que coloco em baixo.
https://www.endingaviationfueltaxexemption.eu/

PS: Os tempos de viagem entre Lisboa e Paris são tempos desejáveis depois de construidas as linhas de alta velocidade Lisboa-Madrid, Madrid-San Sebastian e San Sebastian - Bordeus. Como temos que dormir pelo menos 6 horas por dia, carruagens com serviço de quarto e estações de comboio com serviços de higiene pessoal, podem ajudar a viajar durante a noite e tornar o comboio mais apetecivel (jantar em Lisboa e tomar o pequeno almoço em Paris, depois de uma noite bem dormida não soa mal e ainda se poupa uma noite de hotel)

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