GoncaloRibas

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Ora visto que o tópico do novo aeroporto está fechado, vai aqui:

https://www.publico.pt/2019/07/29/sociedade/noticia/estudo-ambiental-viabiliza-novo-aeroporto-montijo-1881561

Citação

Estudo ambiental viabiliza novo aeroporto do Montijo

Ameaças para a avifauna e o ruído, com efeitos na saúde humana, são os principais impactes negativos. Os maiores riscos para a segurança são o perigo de colisão das aves com os aviões e os tanques de armazenamento de combustível.

Francisco Alves Rito 29 de Julho de 2019, 6:17

Maqueta do projecto do futuro aeroporto, que o Governo quer ver a funcionar em 2022 DR

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do futuro aeroporto do Montijo, colocado nesta segunda-feira em consulta pública pela Agencia Portuguesa do Ambiente (APA), viabiliza a construção da nova infra-estrutura nos terrenos da actual Base Aérea n.º 6 (BA6), assim como a posterior exploração, embora reconheça que, “como qualquer outro projecto desta dimensão, tem impactes significativos no Ambiente”.


Segundo o EIA, a que o PÚBLICO teve acesso, os “impactes mais importantes” ocorrem na fase de exploração, e estão relacionados com as aves e o ruído, tendo este último factor consequências na saúde humana.


O relatório síntese indica, nas conclusões, que os impactes negativos mais significativos são “em especial para os factores ambientais Sistemas Ecológicos – Avifauna, Ambiente Sonoro e Saúde Humana – Ruído” e que esses impactes, “apesar de serem alvo de redução, prevalecem” mesmo após as medidas mitigadoras apontadas.

No domínio dos sistemas ecológicos, é sobre as aves que se farão sentir os “maiores impactes” em consequência “do aumento de pessoas, veículos e aeronaves” na zona e da “perturbação devida ao sobrevoo das aeronaves” sobre os habitats de alimentação e refúgio das aves. Algumas das aves em causa têm estatuto de protecção, como o flamingo, maçarico-galego ou o perna-vermelha-escuro. O EIA conclui, no entanto, “que nenhuma das espécies estudadas terá as suas populações afectadas de forma importante pela mortalidade imposta por bird strike [choque de aves com aeronaves]”.

As zonas mais afectadas

Os impactes negativos no ambiente sonoro, ligados ao ruído da descolagem e aterragem das aeronaves, vão fazer-se sentir “especialmente” nas zonas da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira e de uma forma geral no resto dos concelhos da Moita e Barreiro. Este aumento do ruído terá impactes na saúde humana, “sendo previsível que, associados ao aumento dos níveis sonoros, se registe um aumento da população afectada por Elevadas Perturbações do Sono e Elevada Incomodidade (parâmetros da saúde)”.

O resumo não técnico acrescenta que as perturbações do sono poderão afectar 6555 pessoas adultas logo no primeiro ano de funcionamento do aeroporto, em 2022, e até 7774 adultos em 2041. A este número acrescem entre 1200 a 1400 pessoas que poderão sofrer também de problemas de sono provocados pelo acréscimo da circulação rodoviária gerada pelo novo aeroporto.

Já a “Elevada Incomodidade” provocada pelos aviões deverá atingir 12.455 adultos em 2062, começando por 13.723 em 2022, sendo os concelhos mais afectados a Moita e o Barreiro, enquanto a provocada pelo funcionamento dos acessos incomodará cerca de 3300 (2022) e 4200 (2042) adultos, num “impacte negativo pouco significativo a significativo” nos concelhos do Montijo e Alcochete.

O EIA avaliou os riscos decorrentes do normal funcionamento do aeroporto para a saúde da população nos concelhos de Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo, ao nível da qualidade do ar, e concluiu que “não são expectáveis efeitos negativos significativos na saúde associados à exposição a PM10 e PM2,5 induzidos pelo projecto, durante a sua fase de exploração, dado que as concentrações estimadas para estes poluentes no ar ambiente são semelhantes às que se verificam na situação actual”.

Nos restantes factores ambientais avaliados, os impactes negativos identificados são “eficazmente mitigados, contribuindo, por isso, com um menor peso para o impacte residual final do projecto”, refere o relatório síntese.


Extensão da pista é maior impacte da construção

Os problemas ambientais começam logo na fase de construção, em que os “impactes mais significativos” estão relacionados com a extensão da pista e ocorrerão “sobretudo” nos recursos hídricos superficiais e na ecologia aquática, uma vez que a obra será edificada sobre o Estuário do Tejo.

“Pode referir-se o aumento da turvação da massa de água e a eventual alteração da qualidade da água, decorrente dos processos construtivos, como o impacte mais significativo, mas que será minimizado e bastante localizado. Relativamente à Ecologia Aquática, irá existir afectação das comunidades de microfitobentos, macroinvertebrados bentónicos e vegetação halófita, prevendo-se uma elevada taxa de mortalidade destas aquando da execução da obra”.

Os caranguejos, pela sua reduzida mobilidade, são apontados como exemplo de espécies mortas pelos trabalhos. No entanto, será de prever que os impactes sobre estas comunidades não sejam muito significativos e possam ser minimizados através da aplicação de medidas de minimização”, lê-se no relatório.

O EIA estuda três alternativas para a obra de prolongamento da pista e aponta a “Solução Alternativa 1” como a que “possui impactes mais significativos”, sendo que as diferenças para as restantes não são “muito significativas”. Apesar disso, o estudo mostra preferência pela “Solução Alternativa 1”, dizendo que “oferece vantagens em termos operacionais, construtivos e em especial para as economias de custo que representa” e que, “atendendo a que a solução é ambientalmente viável, esta alternativa reúne as necessárias condições para ser implementada”.

Os dois maiores riscos

Os riscos de segurança do projecto identificados pelo EIA são essencialmente dois: o de colisão com as aves e o de armazenamento de matérias perigosas, nomeadamente os combustíveis para abastecimento dos aviões.

O risco de colisão de aves foi estudado na zona da BA6, onde o perigo são as aves aquáticas como as gaivotas, e outras de grandes dimensões como os corvos-marinhos, flamingos, garças, colhereiros e patos, e no local da Ponta da Erva, que será sobrevoado pelas aeronaves e onde as aves com “maior risco potencial” são a cegonha-branca, o flamingo, o íbis-preto, o colhereiro e a gaivota-de-asa-escura.

Riscos que, segundo o estudo, podem ser minimizados com um conjunto de medidas apresentadas “e que deverão ser discutidas pelas entidades competentes em matéria de segurança aeroportuária”, como, por exemplo, “implementar medidas de beneficiação de habitat em áreas de refúgio, como forma de compensar os efeitos da perturbação por circulação de aeronaves”.

Já os riscos de relacionados com substâncias perigosas decorrem de estar prevista uma área de armazenamento de combustíveis para o abastecimento de aeronaves, designada por Grupo Operacional de Combustíveis (GOC), constituída por três tanques de Jet-A1, de 2750 metros cúbicos cada um, e cinco reservatórios de AvGas e Defuelling, de 30 metros cúbicos cada um. A partir de 2042, para fazer face ao previsto aumento do trafego aéreo, e para manter as reservas de combustível para um mínimo de três dias, será construído um quarto tanque de Jet-A1, com a mesma capacidade dos três primeiros.

Foi feita uma avaliação ao nível do risco de acidentes graves envolvendo substâncias perigosas, tendo sido considerados 75 cenários que podem afectar as pessoas, instalações e o Ambiente. Nestes cenários, segundo o resumo não técnico, “para além dos edifícios administrativo e de manutenção do GOC do Aeroporto do Montijo, não haverá mais nenhum edifício ou zona de uso sensível afectada, excepto um Parque de Estacionamento destinado a passageiros e visitantes, a via de Acesso ao Terminal de Passageiros e uma via de serviço do Aeroporto do Montijo”.

O EIA, elaborado pela empresa Profico Ambiente e Ordenamento, Lda, entre o fim de 2016 e Abril de 2019, tem em conta que o aeroporto entre em funcionamento em 2022, sendo o seu horizonte de projecto o ano de 2062.

O Projecto do Aeroporto do Montijo e Respectivas Acessibilidades, para além da construção de um novo aeroporto na região de Lisboa, engloba também a construção de um novo acesso rodoviário, que permitirá estabelecer a ligação do Aeroporto do Montijo à A12. No âmbito deste projecto prevê-se também a beneficiação do acesso rodoviário ao Terminal Fluvial do Cais do Seixalinho e a construção de uma ciclovia ao longo deste acesso.

O que se segue

Depois do período de consulta pública, que terminará a 19 de Setembro, a APA terá um mês para se pronunciar e decidir-se, face à análise feita, pela aprovação ou pelo “chumbo” daquela que é a única peça do puzzle em falta para que o processo de construção na base militar no Montijo possa avançar em definitivo.

A decisão da APA sobre este segundo estudo (o primeiro foi “arrasado”, obrigando a um aprofundamento do trabalho) deve vir a ser conhecida já depois das legislativas, marcadas para 6 de Outubro.

« Última modificação: 29 de Julho 2019, 11:46:47 por jopeg »


aviationlover

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Cai por terra quem dizia que não ia passar.

nunopinheiro

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Que comecem as obras o quanto antes, que esta novela já dura a tempo demais.

Fica a ganhar Lisboa com um aeroporto escalável para o futuro e muito próximo da cidade.

Faro1910

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    • És de Faro, és Farense
Que comecem as obras o quanto antes, que esta novela já dura a tempo demais.

Fica a ganhar Lisboa com um aeroporto escalável para o futuro e muito próximo da cidade.

E daqui a 15 anos (novamente atrasados) começaremos a discutir a construção do terceiro aeroporto de Lisboa. O lobby da construção agradece. O ambiente e o erário público é que não. Lamentável!
« Última modificação: 29 de Julho 2019, 10:04:08 por Faro1910 »


nunopinheiro

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Faro ou sei lá discutimos aumentar a capacidade do Montijo????
Sabe que o ónus da prova que é impossível expandir o Montijo é seu???

Possa sem QQ obra é possível aumentar a capacidade anunciada para o Montijo simplesmente aumentando o número de movimentos admissíveis. A pista que lá vão por é semelhante a de Faro. Faro admite mais movimentos que aqueles que o Montijo vai ter...

O loby da construção queria era o CTA. Muito mais caro muito mais complexo. E garantia muito anos obras num futuro próximo. Autoestradas redes e TTT quase de certeza. Demolição da portela, quando o CTA se demontrasee não comptitivo com a Portela . Etc etc.

Btw faro ja viu melhor os custos do aeroporto de Istambul???
« Última modificação: 29 de Julho 2019, 10:13:41 por nunopinheiro »


Tomás Ribeiro

  • Mensagens: 1895
Que comecem as obras o quanto antes, que esta novela já dura a tempo demais.

Fica a ganhar Lisboa com um aeroporto escalável para o futuro e muito próximo da cidade.

E daqui a 15 anos (novamente atrasados) começaremos a discutir a construção do terceiro aeroporto de Lisboa. O lobby da construção agradece. O ambiente e o erário público é que não. Lamentável!
Ah já cá faltava o habitual post do faro a carregar na mesma tecla... É sempre mesmo argumento caramba, argumento esse que já se mandou aqui abaixo umas 5 vezes.
Sim já sei bla bla bla mas o Faro não está convencido... O costume ;)

Faro1910

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Faro ou sei lá discutimos aumentar a capacidade do Montijo????
Sabe que o ónus da prova que é impossível expandir o Montijo é seu???

Possa sem QQ obra é possível aumentar a capacidade anunciada para o Montijo simplesmente aumentando o número de movimentos admissíveis. A pista que lá vão por é semelhante a de Faro. Faro admite mais movimentos que aqueles que o Montijo vai ter...

O loby da construção queria era o CTA. Muito mais caro muito mais complexo. E garantia muito anos obras num futuro próximo. Autoestradas redes e TTT quase de certeza. Demolição da portela, quando o CTA se demontrasee não comptitivo com a Portela . Etc etc.

Btw faro ja viu melhor os custos do aeroporto de Istambul???

Não se enerve! Olhe que a sua argumentação está em terra tão sólida como o "aeroporto" do Montijo (sendo essa uma das grandes incógnitas que poderão disparar os custos do Montijo, e inviabilizar economicamente a expansão.).

Complexidade em Alcochete? É mais fácil construir destruindo um monte na Ota, sobre o rio no Montijo ou será que é sobre terra plana em Alcochete ou Rio Frio? Hum, não sei! Se Alcochete é complexo, o Montijo é uma transcendência.

Não perco mais tempo, mas não me calo. Se tiver interesse é reler as discussões.
« Última modificação: 29 de Julho 2019, 10:27:20 por Faro1910 »


Carnim

  • Mensagens: 894
Venha de la o novo aeroporto que 2022 já e tarde ;)

nunopinheiro

  • Mensagens: 4460
Não estou minimamente nervoso ;)

Faro que competências, na area de eng civil tem para afirmar isso?
Eu digo que é mais complexo porque não há la nada os solos são virgens (não consolidados) não há qq infraestrutura no CTA e fica muitíssimo mais afastado das infraestruturas existentes que o montijo.

O custo principal com as pistas é a consolidação dos solos, um solo que nunca teve qq carga em cima é mais complexo de consolidar, (tanto o Montijo como o CTA são solos arenosos aluvionares, mas o montijo a pista ja esta a uso a decadas e os assentamentos que haviam de ocorrer já ocorreram ). De resto o CTA era um aeroporto muito maior que o que se vai fazer já no montijo logo muito mais complexo.

Citação
Se tiver interesse é reler as discussões.
Eu li lembra-se e em todos os casos lhe respondi, ou não respondi?
Ou ainda acha que no montijo não se pode expandir a pista porque vai ficar debaixo de água uma vez que esta tem de ser absolutamente plana?

Moderação seria possivel mudar isto para um novo tópico.?
« Última modificação: 29 de Julho 2019, 11:07:52 por nunopinheiro »


Faro1910

  • Mensagens: 423
    • És de Faro, és Farense
Não estou minimamente nervoso ;)

1) Faro que competências, na area de eng civil tem para afirmar isso?

2) Ou ainda acha que no montijo não se pode expandir a pista porque vai ficar debaixo de água uma vez que esta tem de ser absolutamente plana?

3) Moderação seria possivel mudar isto para um novo tópico.?

1) De Eng. Civil nenhumas. Falei com um especialista em sísmica de renome que me disse que os solos em Alverca e Montijo são um desastre por terem água poucos metros debaixo do solo. Este sr. participou do projeto e solução do problema que houve no Metro de Lisboa na Baixa e sabe do que fala.

2) A pista não tem que ser horizontal mas não pode ser horizontal no início e depois tomar uma inclinação. Não tem que ser rigorosamente plana, mas convém que não ande muito longe disso. E isso tem custos.

3) Apoiado! Já se descongelava o tópico...

aviationlover

  • Mensagens: 1205
Mas vamos andar a bater na mesma tecla, repete, dá mais uma voltinha repete, está feito está feito, faça-se as obras e está a andar.

nunopinheiro

  • Mensagens: 4460
1) Faro pode-me dar o nome desse especialista para ele me explicar como é que o CTA é melhor? O solos são basicamente  "iguais", o nível freático no CTA também não é elevado.
O senhor BTW esta a falar do problema de "Soil liquefaction" https://en.wikipedia.org/wiki/Soil_liquefaction, e basta que o solo tenha agua suficiente e a agitação seja também ela suficiente, se houver um terramoto com estas características toda a margem sul vai ser um senhor problema. 
BTW o problema do túnel do metro de Lisboa é das maiores vergonhas da eng nacional. 

2) ERRADO até já coloquei foto disso aqui. uma a subir e depois a descer e posso colocar uma carrada de outras fotos de exemplo. O que não pode ter é inclinações superiores as máximas admissiveis, que não é o problema de todo no Montijo.
« Última modificação: 29 de Julho 2019, 12:05:59 por nunopinheiro »


New Engine Option

  • Mensagens: 2525
Previsivel, embora ache que no CTA era melhor.

Faro1910

  • Mensagens: 423
    • És de Faro, és Farense
1) Faro pode-me dar o nome desse especialista para ele me explicar como é que o CTA é melhor? O solos são basicamente  "iguais", o nível freático no CTA também não é elevado.
O senhor BTW esta a falar do problema de "Soil liquefaction" https://en.wikipedia.org/wiki/Soil_liquefaction, e basta que o solo tenha agua suficiente e a agitação seja também ela suficiente, se houver um terramoto com estas características toda a margem sul vai ser um senhor problema. 
BTW o problema do túnel do metro de Lisboa é das maiores vergonhas da eng nacional. 

2) ERRADO até já coloquei foto disso aqui. uma a subir e depois a descer e posso colocar uma carrada de outras fotos de exemplo. O que não pode ter é inclinações superiores as máximas admissiveis, que não é o problema de todo no Montijo.

Tem razão  ;)

Caravelle

  • Mensagens: 264
(...) BTW o problema do túnel do metro de Lisboa é das maiores vergonhas da eng nacional. 

Não querendo alimentar off-topics, fiquei curioso. Pode desenvolver mais alguma coisa, caro nunopinheiro? Se quiser poderá ser por MP.

Bons voos.
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EUROPE - AFRICA - AMERICAS

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