Icterio

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Episódio 1, 15 de Janeiro de 2007 (início da manhã)

Em Janeiro de 2007 os Royal Marines do 45 Commando executaram um ataque ao forte Taliban de Jugroom, perto da cidade de Garmsir, no Afeganistão.  120 homens da companhia Zulu, montados nos seus veículos blindados anfíbios Viking, atacaram vindos de sul, levantando nuvens de poeira pelos campos de papoilas.  Da margem Oeste do Rio Helmand, artilharia ligeira (L118 de 105mm) do 29 Commando e morteiros de 81mm do 45 Commando lançavam projécteis para o muro exterior para "desencorajar" os Taliban.  Pelo ar, dois helicópteros Westland Apache do Esquadrão 656 (Ugly Five-Zero e Ugly Five-One) forneciam apoio cerrado.  Mas, como sempre acontece, todos os planos meticulosos de combate encravam quando se entra em contacto com o inimigo.

Os APC Viking, além de serem anfíbios, beneficiam de uma baixa pressão sobre o solo graças ás largas lagartas,
factor importante nos terrenos arenosos do Afeganistão.

Assim que os Viking se aproximaram do muro exterior, uma constelação de flashes despertou repentinamente, metralhadoras pesadas nas torres de vigia e nos acessos ao forte encheram o ar de tracejantes.  Os artilheiros nos Viking retribuíam fogo, mas em pouco tempo viram-se atacados de duas direcções, quando os inconfundíveis silvos de RPGs surgem de uma área de vegetação a noroeste.  O primeiro RPG explodiu no solo alguns metros à frente da coluna mas o segundo e terceiro projécteis explodiram muito perto dos flancos dos veículos, cobrindo os mesmos de detritos e poeira.  Os Apache disparavam curtas mas devastadoras rajadas de 30mm mas o fumo e proximidade entre alvos tornava muito difícil perceber quem era quem. 


Já perto do muro exterior os soldados da companhia Zulu desembarcaram dos Viking e conseguiram entrar pelas brechas provocadas pela artilharia.  Nesta altura o fogo inimigo tornou-se muito mais intenso com cada vez mais Taliban a surgirem dos túneis e fossos que rodeavam o complexo.  Com pouco mais de 5 minutos desde o inicio do ataque, os Marines começaram a sofrer as primeiras baixas.  Pressentindo a vitória, os Taliban aproximavam-se cada vez mais dos Ingleses, o que dificultava o apoio dos Apache.  A única hipótese dos Marines era sair dali...e sair rápido!  Desesperados por mais apoio aéreo, é feito um pedido urgente de ajuda aos Americanos que é prontamente respondido por um A-10, que se encontrava em patrulha perto da área.  O piloto do Warthog (call sign Tusk), provavelmente salvou o dia aos Ingleses; com uma rajada de 6 segundos do canhão GAU-8/A demoliu boa parte da estrutura e dos túneis que separam o forte do muro exterior. 


Este ataque acalmou sobremaneira os Taliban e os Marines aproveitaram para recuar paulatinamente para os Viking.  Retirando para a linha de partida do outro lado do Rio Helmand, os exaustos Marines podiam ao menos consolar-se com o facto de que, apesar do falhanço total da missão, os seus 4 feridos já tinham sido evacuados em segurança a bordo de um Chinook com tripulação médica.  Até que alguém perguntou; "Onde está o Cabo Mathew Ford?".  Rapidamente a terrível verdade tornava-se incontornável para os homens do 45 Commando, um dos seus estava desaparecido.  O Ford tinha sido visto pela última vez junto à brecha no muro exterior, quando o fogo inimigo se tornou mais intenso.  No calor da batalha, ficou para trás.  Mas simplesmente não havia outra opção, era preciso ir buscá-lo.
« Última modificação: 28 de Dezembro 2019, 02:30:10 por Icterio »


berto_opo

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Próximo capítulo por favor. Obrigado.

Gostei de ler este pequeno trecho.
Abraço,
Berto_opo (Alberto)

Icterio

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Episódio 2, 15 de Janeiro de 2007 (manhã)

Enquanto vários voluntários se apresentavam para fazer parte do grupo de salvamento o comandante da operação, o Coronel Rob MaGowan e o Sargento Colin Hearn, preparavam os blindados Viking para regressar a Jugroom.  No entanto, iria demorar algum tempo até que a coluna de salvamento estivesse pronta, tempo que Mathew Ford dificilmente dispunha.  Durante estas preparações o piloto do Ugly Five-Zero informou que tinha localizado a posição do Cabo Ford, perto do muro exterior, como se suspeitava.  Mais do que isso, o piloto propôs um plano de salvamento alternativo mas mais rápido.  Um plano tão ambicioso quanto…audaz.  Ele recordou um procedimento de emergência que os americanos tinham desenvolvido para salvar tripulações de helicópteros Apache abatidos atrás das linhas inimigas; retirá-los da zona de perigo pendurados nas pequenas asas de suporte para o armamento!  O plano seria transportar nas asas uma pequena equipa de salvamento de quatro soldados, dois cada no Five-Zero e no Five-One, aterrar o mais perto possível do Cabo Ford, segurá-lo rapidamente à asa e trazer de volta todo o grupo em segurança.  Simples!

Este era o plano para resgatar o mais rapidamente possível o Cabo Ford.

Esta manobra nunca tinha sido posta em prática por nenhum piloto Britânico mas apesar dos enormes perigos envolvidos o Coronel MaGowan recebeu luz verde do Battle Group HQ.  Os voluntários apresentaram-se sem demora, o primeiro, o Capitão David Rigg (30 anos) dos Royal Engineers lembra; “Ofereci-me por instinto, sentíamo-nos todos responsáveis e queríamos ajudar.  Nestas circunstâncias estamos todos juntos, Royal Marines, Exército, Força Aérea.  Não interessa quem era o Ford, era um de nós.”  Os outros três escolhidos foram os Marines Gary Robinson e Chris Frazer-Perry além do Sargento Colin Hearn.  Hearn recordou mais tarde; “Eram os meus homens e eu era o RSM (Regimental Sargeant Major) da unidade, não ia deixar ninguém para trás no campo de batalha.”

Nesta foto notável vemos o grupo de salvamento e tripulações dos Apache juntos à volta de um mapa do forte Jugroom para acertar em poucos minutos um plano coerente. 

Os quatro soldados e as tripulações dos Apache reuniram-se para rapidamente conceberem um plano de acção; onde se pensava que Ford estava, as posições inimigas, rota de inserção, onde os helicópteros iriam aterrar, etc.  Mais dois Apache (Zero-Two e Zero-Three), que acabavam de regressar da escolta ao Chinnok, iriam acompanhar e oferecer apoio próximo à equipa de salvamento durante todo o trajecto.  Os pilotos calculavam que os Marines teriam apenas dois minutos para apanhar o Ford e regressar aos Apache antes que os Taliban se organizassem e efectuassem um contra-ataque decisivo.  E para proteger os soldados das baixíssimas temperaturas do Inverno Afegão, os helicópteros voariam a apenas 75km/h (um terço da velocidade de ataque usual), o que os tornaria muito mais vulneráveis ao fogo de terra.

O comandante do 45 Commando, Coronel Rob MaGowan, observa apreensivo enquanto os seus homens se dirigem para os Apache.

A equipa de salvamento subiu para os Apache e com ganchos de montanhismo prenderam-se o melhor que sabiam às alças exteriores de acesso ao cockpit.  Para Frazer-Perry o voo iria ser ainda mais... "interessante", como só havia 3 conjuntos de ganchos disponíveis a fava calhou-lhe, e restou-lhe confiar nas cintas do seu equipamento para o prender ao helicóptero.  Ficavam sentados sensivelmente ao lado dos pilotos (assento de trás) imediatamente à frente das tomadas de ar dos potentes turboeixos Rolls-Royce, o que significava que o barulho iria ser ensurdecedor.  Durante todo o voo seria impossível para as tripulações dos Apache comunicar com os soldados, factor que iria ter um impacto significativo no decorrer da operação.  Assim que os Marines se acomodaram e deram o OK, os Apache descolaram rumo a Jugroom.

Os Marines Riggs e Frazer-Perry procuram a melhor maneira de se "acomodarem" num espaço pouco pensado para o efeito. 
Nesta altura talvez tenha passado pela cabeça a ironia do lema dos Marines; "Pelo Mar, Pela Terra", ninguém falou em "pelo ar". 
« Última modificação: 02 de Janeiro 2020, 15:47:25 por Icterio »


BMF

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Obrigado pela partilha, por causa disso lá comprei o livro do Ed Macy, um dos pilotos que participou nessa missão e lhe valeu uma Military Cross.

Icterio

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Episódio 3, 15 de Janeiro de 2007 (manhã)

Os quatro Apache voaram baixo, seguindo o leito do Rio Helmand rumo ao forte, a uma velocidade moderada para bem dos soldados no exterior.  Assim, a força de salvamento era composta da seguinte forma;

Apache Ugly Five-Zero – Piloto (nome desconhecido), artilheiro (Keith Armatage) e dois soldados (Colin Hearn e Gary Robinson).
Apache Ugly Five-One – Piloto (nome desconhecido), artilheiro (Ed Macy) e dois soldados (David Rigg e Chris Frazer-Perry). 
Apaches Ugly Five-Two e Ugly Five-Three – Apoio próximo e cobertura. 

Assim que os helicópteros surgem por trás da colina em frente a Jugroom, a artilharia do 29 e 45 Commando, situada a 5Km a Oeste, cessa imediatamente o fogo.  A visibilidade era reduzida devido às espessas nuvens de poeira e aos detritos levantados pela barragem de artilharia.  Os pilotos voavam por instrumentos e, em boa medida, intuição e perícia.  As tracejantes de AK vindas dos muros do forte e dirigidas aos gunships tornavam-se agora assustadoramente visíveis e os 4 soldados nas asas enrolavam-se o mais possível contra a fuselagem num instinto de se protegerem do fogo e de reduzirem o seu perfil.  Robinson lembra-se que durante o curto voo tentou manter-se focado na missão; “A única coisa na minha cabeça era o que iria fazer mal o helicóptero aterrasse; descortinar rapidamente onde estava, encontrar o Cabo Ford e regressar o mais rápido possível.  A realidade só me atingiu realmente quando saímos do leito do rio e vi os flashes das armas dos Taliban”

Um aparentemente confiante Colin Hearn aguarda pelo início de uma viagem que nunca mais esquecerá.

Assim que o Five-Zero se aproxima do muro exterior para aterrar, o piloto apercebeu-se de um pormenor fundamental que não tinha sido previsto e que punha em causa todo o plano!  Com a nuvem de areia que os seus rotores estavam a levantar, e a reduzir a visibilidade a zero, a probabilidade do Five-One (que vinha poucos segundos atrás) chocar contra o seu aparelho era quase certa.  Numa decisão repentina, o piloto do Five-Zero mete potência, passa por cima do muro exterior, dispara uma rajada de 30mm contra a parede interna do forte e aterra dentro do complexo!  Totalmente alheios a esta mudança de última hora, os dois soldados (Hearn e Robinson) saltam imediatamente das asas do Apache e dirigem-se para norte, penetrando ainda mais dentro do território inimigo, pensando que estavam junto ao muro exterior.  A bordo do Apache o artilheiro Keith Armatage, apercebendo-se do erro, retira a sua SA80 do suporte, abre a janela do cockpit e salta a correr atrás dos dois Marines!

Uma excelente imagem tirada pelo sistema de infravermelhos TADS/PNVS momentos antes do ataque.

Pela segunda vez naquela manhã os planos desmoronavam-se novamente perante o inimigo e era hora de improvisar.  “This is not happening”, pensariam muitos na altura.  Um pouco mais atrás o piloto do Apache Five-One, surpreendido pela manobra do líder, mantém-se fiel ao plano e aterra perto do muro exterior.  Assim que as rodas assentam na areia fina, Frazer-Perry e Rigg entram imediatamente em ação e dirigem-se para o ponto onde se acreditava estar o Cabo Ford.  O poderoso fluxo criado pelos rotores levantava imensas camadas de lixo, poeira e areia que tornavam o ar irrespirável e a visibilidade nula.  Passado um longo minuto desde a aterragem, e sem sinal de Frazer-Perry e Rigg, a tensão dentro do cockpit aumentava.  Sentados e indefesos (um dispositivo de segurança trava o canhão na aterragem), os dois tripulantes esforçavam-se para tentar ver alguma coisa através da escuridão provocada pela areia.  Um deles, Ed Macy, brinca com a situação; “Perdemos o elemento de surpresa, perdemos toda a visibilidade e ainda conseguimos nos perder uns aos outros.”

A manobra inesperada do Five-Zero colocou os Marines Hearn e Robinson (e o próprio Apache) dentro do boca do inimigo.

Assim que a visibilidade melhorou foi possível vislumbrar uns vultos a movimentarem-se erraticamente; era Frazer-Perry e Rigg a arrastar com muita dificuldade o Cabo Ford através do solo fino e a atrair fogo de armas ligeiras.  Vendo os colegas em perigo, era agora a vez de Macy abandonar a relativa segurança do seu aparelho.  Depois de sacar do coldre e carregar a sua Browning Hi-Power de 9mm, Macy salta para o exterior e imediatamente sente os seus pés afundar até aos joelhos na areia fina.  Ele lembra-se vívidamente do intenso cheiro a cordite que queimava as narinas e “comparado ao silêncio do cockpit com ar-condicionado do Apache, o barulho era simplesmente inacreditável”.  RPGs assobiavam pelo ar, com o fogo dos taliban a ameaçar os soldados, Macy e o vulnerável helicóptero no chão.  "Mas onde raio estão os dois Marines do Five-Zero!?" Para esses, as coisas também não estavam, de todo, a correr como planeado…

Icterio

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Episódio 4, 15 de Janeiro de 2007 (manhã) (Penúltimo)

Depois de encontrar Hearn e Robinson, Armatage segue pelo complexo em direcção ao muro e os 3 homens encontram uma brecha suficientemente larga para permitir a passagem.  Virando novamente à direita, o trio segue a muralha debaixo de fogo vindo directamente de cima, uma posição de grande vulnerabilidade.  No entanto, no meio de toda a confusão de baixa visibilidade e constante fogo inimigo, apercebem-se que estão a seguir na direcção errada quando se deparam com as ruínas da torre de vigia do extremo nordeste do forte Jugroom!  Pior que isso, teriam de voltar para trás 200 metros pelo mesmo caminho, voltar ao ponto de partida, descer no sentido inverso e tentar encontrar o resto da equipa de salvamento, tudo debaixo das miras dos cada vez mais numerosos combatentes inimigos. 

Na confusão, os três homens do Apache Five-Zero viram na direcção errada e afastam-se do Cabo Ford e colegas do Five-One.  Só quando chegam ao extremo norte do forte se apercebem que estão no sítio errado!  Toca a voltar para trás!!  "F***!!, F***!!, F***!!"

Dentro do complexo, o estático Apache era alvo de todo o tipo de armas ligeiras, como se tratasse de uma carreia de tiro.  Dentro do cockpit, o piloto ouvia o impacto constante de balas na estrutura à sua volta.  “Seria a tão famosa blindagem do Apache realmente eficaz?”, pensaria ele.  Sem outras opções, pede ajuda aos Apache que orbitavam alguns metros acima.  Momentos depois, rajadas de canhão de 30mm rompem pelas paredes do forte, lançando pelo ar grandes pedaços da estrutura de terra batida e tijolo.  Era o Ugly Five-Two, que disparava rajada atrás de rajada, um poder de fogo que os Taliban não podiam contrariar directamente.  Do outro lado do muro, e aproveitando a sua cobertura, Hearn, Robinson e Armatage também sentiram o efeito do canhão, levando com uma chuva de detritos e poeira sobre as cabeças.  Delicadeza e finesse não são certamente os atributos mais fortes dos AH-64, o melhor é mesmo sair do caminho. 

De volta à cena do salvamento, Macy acabava de se juntar a Rigg e Frazer que dentro de uma nuvem de areia tão fina como pó de talco lutavam com os quase 130kg de peso do inanimado Ford.  Os três homens carregam lenta e sofregamente o colega ferido, parando e tropeçando várias vezes no terreno difícil.  Pelo menos, a baixa visibilidade e a poeira também ajudam a ocultá-los do fogo do inimigo, mas com a quantidade de balas e RPGs a ser disparados na sua direcção, era uma questão de (pouco) tempo até alguém, ou todos, serem atingidos.  Os Taliban percebiam o que os Marines estavam a fazer e tentavam agora flanquear o grupo pela direita, aproveitando a cobertura do arvoredo.  Como um anjo da guarda, o Apache Five-Two mantinha os colegas no solo debaixo de olho apesar da visibilidade quase nula, os sensores TADS/PNVS ajudavam e perscrutar pela poeira.  Nem o Super-Homem faria melhor.  Enquanto isso o outro Apache (Five-Three) disparava na direcção das posições de metralhadoras escondidas entre as árvores.  Os Taliban eram mestres na camuflagem e moviam-se com uma destreza e rapidez estonteantes.  Não é por acaso que nos anos 80, durante a invasão do Afeganistão pela então União Soviética, os mujahedeen fossem apelidados de “fantasmas”.     


Exaustos e já de joelhos, Macy e Riggs arrastavam o corpo de Mathew Ford pelo chão que dificultava tanto o movimento como areia movediça.  Frazer-Perry cobria a retaguarda, esvaziando carregador atrás de carregador da sua SA80, na tentativa de manter o adversário de cabeça baixa.  A situação era absolutamente crítica, apesar do Apache Five-One estar a uns meros 7 metros de distância, para os Marines e Macy parecia não haver forma de carregar Ford até lá.  “Onde estão Hearn e Robinson?!,  Teriam sido também atingidos, ou pior, capturados?  Isso significava nova operação de resgate.

Icterio

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Episódio 5, 15 de Janeiro de 2007 (manhã) (Último)

De repente, saídos do tempestade de areia, três pares de mãos levantam o cabo Ford do chão – era Hearn, Robinson e Armatage que finalmente chegavam ao local combinado.  Atrasados, sem dúvida, mas na mesmo assim na hora exacta!!  Enquanto os cinco soldados transportavam o ferido para o helicóptero e prendiam-no da melhor forma à asa com ganchos e cintas, os dois Apache em voo (Five-Two e Five Three) disparavam os restantes misseis Hellfire e foguetes Hydra na direcção das posições dos Taliban.   

Depois de algumas passagens os dois Apache declaram “Winchester” pelo rádio, o que significava que tinham disparado todas as munições (*).  Também com pouco combustível, era hora de regressar a Camp Bastion, a cerca de 30 minutos de distância.  Com o Mathew Ford bem preso à asa, e com Rigg e Frazer-Perry seguros apenas pelos próprios meios, o Ugly Five-One levanta voo, mas o drama ainda não tinha acabado…  Com os motores em plena potência, e poucos momentos depois de descolar, uma rajada de vento de cauda súbita faz o Apache mergulhar contra o solo.  A reacção rápida do piloto evitou um encontro imediato com o muro do forte e, virando o nariz do aparelho contra o vento, o Five-One despede-se da zona debaixo da cobertura dos Marines do lado oposto do Rio Helmand.  Cerca de 30 segundos depois, o Five-Zero segue o mesmo caminho.  Aquilo que pareceu demorar uma eternidade para a equipa de salvamento demorou na realidade apenas 5 minutos e 10 segundos.


Infelizmente, e apesar de todos os esforços, o Cabo Ford não resistiu aos ferimentos.  Aliás, segundo o relatório preliminar, deve ter sofrido morte imediata logo nos momentos iniciais do assalto, atingido no peito por um projéctil calibre .50 vindo de um dos APC Viking.  Mais um triste incidente de “fogo amigo”.  O relatório também apontou várias deficiências e erros em toda a missão original, desde falhas de controlo e comando, debilidades de treino e de equipamento e decisões tácticas pouco informadas.  No entanto, a operação de resgate recebeu muitos elogios devido à forma rápida como foi planeada e executada, apesar das dificuldades inerentes e da falta de equipamento adequado.  Nas palavras do Tenente-Coronel Rory Bruce, porta-voz da UK Task Force, o relato da missão “é uma extraordinária história de heroísmo e bravura dos nossos pilotos, soldados e Marines, que não hesitaram em se colocar na linha de fogo para resgatar um camarada caído.”                           


(*) O termo "Winchester" é usado por pilotos de combate em todo o Mundo para comunicar que estão sem munições.  A expressão origina-se nos combates aéreos da Primeira Guerra Mundial quando os pilotos de caça, ao esgotar a munição das metralhadoras, ficavam armados apenas com os seus revólveres Winchester para se defenderem dos aviões inimigos.

Icterio

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Gostei de ver, fez me lembrar o trabalho que tive em fazer os posts acima...


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